quarta-feira, 22 de julho de 2026

Roubo de obras de Monet, Picasso e Dalí no Rio prescreve após 20 anos sem punição

Crime prescreve após duas décadas

Um dos maiores roubos de obras de arte do Brasil, ocorrido no Carnaval de 2006 no Rio de Janeiro, prescreve oficialmente nesta semana. Cinco obras de Claude Monet, Pablo Picasso, Salvador Dalí e Henri Matisse, avaliadas em mais de US$ 10 milhões na época, foram levadas do Museu da Chácara do Céu, em Santa Teresa, sem que os responsáveis ou as peças jamais fossem encontrados.

Investigações e suspeitos

Ao longo de 20 anos, as investigações apontaram para três suspeitos principais: Paulo Gessé, Michel Cohen e Patrice Rouge. Apesar de buscas, grampos telefônicos e prisões temporárias, nenhuma acusação concreta foi estabelecida pela Justiça.

Paulo Gessé

Paulo Gessé foi suspeito de ser cúmplice no transporte de uma das obras. Sua residência foi revistada e ele chegou a ser preso, mas foi liberado por falta de provas.

Michel Cohen

O negociador francês de pinturas, Michel Cohen, já acusado nos EUA por fraudes, esteve preso no Rio em 2003, mas fugiu. Suspeita-se de seu envolvimento no roubo de 2006, e ele permaneceu foragido por 16 anos, reaparecendo em um documentário da BBC em 2019.

Patrice Rouge

O artesão francês Patrice Rouge também foi incluído na lista de suspeitos. Em entrevista exclusiva à Agência Brasil, ele negou veementemente qualquer participação no crime, classificando a acusação como absurda e prejudicial à sua reputação.

Descaso institucional e falhas na segurança

A jornalista Cristina Tardáguila, autora do livro “A Arte do Descaso”, critica a falta de empenho institucional para solucionar o crime. Ela aponta falhas na reação policial, preservação de provas e comunicação entre órgãos.

Negligências apontadas

A primeira patrulha da Polícia Militar demorou meia hora para chegar ao museu. A Polícia Federal, ao chegar, não preservou o local, permitindo que dezenas de pessoas circulassem. Um fax enviado com alerta para portos e aeroportos continha informações incompletas sobre as obras roubadas.

Inquérito desaparecido

Um dos episódios de descaso foi o desaparecimento do inquérito policial, que só foi encontrado em 2015. Atualmente, o processo criminal está arquivado provisoriamente por falta de autoria definida.

Reforço na segurança do museu

Desde 2007, o Museu da Chácara do Céu fecha nos dias de Carnaval e de desfiles de blocos. A estrutura de segurança foi modernizada, com câmeras de monitoramento 24 horas e treinamento da equipe. A diretoria mantém contato estreito com a polícia.

Obras roubadas e o impacto cultural

As cinco obras roubadas eram peças centrais do acervo: “Marine” (Monet), “Le Jardin du Luxembourg” (Matisse), “La Danse” (Picasso), “Homme d’une Complexion Malsaine Écoutant le Bruit de la Mer sur les Deux Balcons” (Dalí) e o livro de gravuras “Toros” (Picasso).

Perda para o patrimônio público

Especialistas como Helder Oliveira lamentam a perda cultural irreparável. O roubo representa não apenas a subtração de bens valiosos, mas a impossibilidade de acesso público e estudo dessas obras únicas, configurando um prejuízo ao patrimônio do país.

Cinema e a esperança de reencontro

Um longa-metragem ficcional baseado no livro “A Arte do Descaso” está em fase de captação de recursos, buscando trazer nova luz ao caso. Apesar da prescrição, a diretoria do Museu da Chácara do Céu mantém a esperança de que as obras sejam encontradas um dia.

Com informações da Agência Brasil