
A sobretaxa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre parte dos produtos brasileiros entrou em vigor à meia-noite desta quarta-feira (22) no horário da Costa Leste americana (1h01 no horário de Brasília). A cobrança passa a valer para mercadorias que entrarem para consumo nos EUA ou forem retiradas de armazéns americanos a partir desse horário.
Segundo o vice-presidente Geraldo Alckmin, a sobretaxa alcança cerca de 18% do valor das exportações brasileiras destinadas aos EUA, o equivalente a US$ 7,4 bilhões (cerca de R$ 37,6 bilhões), com base nos dados de 2024.
Entre os itens atingidos estão etanol, máquinas agrícolas, equipamentos de mineração, calçados, roupas, papel, açúcar orgânico e produtos químicos. Mais de 2 mil códigos tarifários ficaram fora da sobretaxa, incluindo carne bovina, café, cacau, petróleo, gás natural, medicamentos, aeronaves civis e alguns minérios.
Impacto e projeções
Um levantamento com dados do Global Trade Alert estimava que a tarifa média efetiva sobre os produtos brasileiros subiria de 11,73% para 18,89%, um aumento de 7,16 pontos percentuais. Com a medida, o Brasil pode se tornar o segundo país mais taxado pelos EUA, atrás apenas da China.
O cenário ainda pode se agravar nos próximos dias. O governo brasileiro espera para sexta-feira (24) o anúncio de uma possível tarifa adicional de 12,5%, relacionada a uma investigação dos EUA sobre supostas falhas nos mecanismos brasileiros para impedir a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado.
Ainda não se sabe se a nova cobrança será somada à sobretaxa de 25%. Caso haja acumulação, alguns produtos brasileiros poderão enfrentar uma sobretaxa total de 37,5%. O governo aguardará a decisão das autoridades americanas antes de fechar o pacote de apoio às empresas atingidas, já que o impacto dependerá da carga tarifária final aplicada pelos EUA.
Motivação e reação do Brasil
A cobrança adicional de 25% foi adotada com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA. Washington questiona políticas brasileiras relacionadas ao Pix, ao comércio digital, à propriedade intelectual, às tarifas sobre o etanol americano, ao combate à corrupção e ao desmatamento ilegal. O governo brasileiro rejeita as acusações e tem criticado a decisão americana, classificando-a como um “marco lastimável” na relação bilateral.






