segunda-feira, 20 de julho de 2026

Grupo dos Dez celebra 15 anos com apresentação única de “Madame Satã” em BH

O Grupo dos Dez retoma suas atividades em Belo Horizonte com uma apresentação especial do espetáculo Madame Satã, neste domingo (01), às 20h, no Sesc Palladium. A volta aos palcos da capital mineira celebra os 15 anos de trajetória do grupo e reforça a importância do teatro negro na cultura brasileira.

Um projeto de celebração e expansão

Dirigido por João das Neves e Rodrigo Jerônimo, Madame Satã integra o projeto “Grupo dos Dez – 15 anos de Teatro Negro”, aprovado pela Lei Federal de Incentivo à Cultura e com realização do Ministério da Cultura e apresentação da Petrobras. O projeto prevê mais de 60 apresentações em sete estados, incluindo obras inéditas, espetáculos consagrados e ações formativas.

Além de Madame Satã, a programação comemorativa inclui a estreia do novo espetáculo Afroapocalíptico, no dia 13 de março, no Palácio das Artes. A montagem busca construir uma experiência artística imersiva a partir da cosmovisão do congado mineiro.

Teatro negro como pilar cultural

O retorno do grupo à cidade, que recebeu o espetáculo pela última vez em 2018, carrega o desejo de expandir fronteiras e descolonizar narrativas. Rodrigo Jerônimo, co-diretor e dramaturgo, destaca o valor simbólico dessa retomada: “Chegar aos 15 anos significa olhar para trás e reconhecer tudo o que conquistamos, mas também reafirmar que nosso trabalho só ganha sentido quando é capaz de criar coletivamente e transformar realidades”.

Para a diretora musical Bia Nogueira, a volta aos palcos consolida a vocação do grupo: “Estar de volta com essa temporada é potencializar vozes que refletem o Brasil em toda a sua diversidade e afirmar que a arte deve ser acessível a todas as pessoas”.

Madame Satã: Um diálogo com a realidade

Madame Satã é o terceiro espetáculo do grupo e utiliza a biografia de João Francisco dos Santos para dialogar com a crítica à homofobia, transfobia e racismo. A obra dá visibilidade a personagens historicamente marginalizados, abordando histórias que fogem da heteronormatividade.

Montado originalmente em 2014 e estreando em 2015, o musical circulou por diversas capitais brasileiras até 2019, recebendo reconhecimentos como o Prêmio Brasil Musical 2019 e o Prêmio Leda Maria Martins 2017.

Rodrigo Jerônimo ressalta que o espetáculo passa por atualizações constantes, convidando ao deslocamento e à escuta de narrativas marginalizadas. “É importante mostrar que os crimes permanecem impunes e continuam acontecendo no Brasil, como o assassinato do povo negro, indígena e LGBTs”, afirma.

15 anos de história e compromisso

Criado em 2009, o Grupo dos Dez se consolidou como referência nacional na interseção entre o teatro negro e o teatro musical brasileiro, inspirado em tradições populares, africanas e indígenas. Ao longo de sua trajetória, lançou luz sobre temas como homoafetividade, desafios da população negra, luta das mulheres e enfrentamento às opressões contra pessoas LGBTQIAPN+.

Além da produção de espetáculos, o grupo mantém iniciativas como o Aquilombô – Fórum Permanente de Artes Negras e o Festival Imune, voltadas ao fortalecimento da cultura afro-indígena e à promoção da empregabilidade negra LGBTQIAPN+.

Com informações da Agência Brasil