quinta-feira, 4 de junho de 2026

Nova geração de mestras de bateria rompe barreiras e traz diversidade ao carnaval

Mulheres no comando: um marco histórico no carnaval

A jovem Laísa Lima, de 26 anos, celebrou um feito inédito ao se tornar a primeira mulher a cruzar a Sapucaí como mestra de bateria. A iniciativa ecoa o pioneirismo de Helen Maria da Silva Simão, 46 anos, que comemorou o sucesso de Laísa e expressou o desejo de ver mais mulheres assumindo a liderança das baterias.

“Não estamos em uma bateria só para tocar chocalho, temos o conhecimento [da bateria] como um todo. Quanto mais mulheres aparecerem no comando de uma bateria eu bato palmas, tem que ser assim”, afirmou Helen Maria, ressaltando a evolução histórica das mulheres ritmistas, que antes se limitavam a instrumentos como chocalho e agogô.

Laísa Lima: a força da juventude e da representatividade

Mestra da bateria “Sensação” da Escola de Samba Arranco do Engenho de Dentro, Laísa Lima comandou dezenas de músicos em uma homenagem à primeira palhaça negra brasileira, Maria Eliza Alves dos Reis. Sua performance, representando Maria Bonita, e a bateria simbolizando o xote de Luiz Gonzaga, marcaram a avenida.

Helen Maria vê no sucesso de Laísa, premiada como revelação do carnaval, um reflexo da “nova geração que impulsiona essa diversidade”. Ela também destaca a entrada de novos talentos, como o mestre Markinhos, que trazem “novas influências musicais para o carnaval”.

Desconstruindo o machismo e abraçando a diversidade

Helen Maria relatou ter enfrentado “muito machismo” em sua trajetória, com a descrença de que o posto de mestra não seria lugar de mulher. “Tive que construir um legado por cima disso”, contou.

Nesse novo cenário, desponta também o mestre Markinhos, de 31 anos, homem LGBTQIA+. Ele desfila ao lado do pai, mestre Marcão, na Escola de Samba Paraíso do Tuiuti, e tem misturado em suas indumentárias referências masculinas e femininas, como saltos altos.

“A bateria sempre foi um ambiente machista”, disse Markinhos, apesar de reconhecer a presença de gays e mulheres em menor número historicamente. Ele ressaltou a importância do apoio familiar e dos ritmistas para superar as dificuldades iniciais.

O coração do samba: a importância da bateria

Segundo a pesquisadora Helena Theodoro, as baterias são o “coração das escolas de samba”, ditando a cadência do samba-enredo e influenciando todos os elementos do desfile. O posto de mestre, majoritariamente ocupado por homens, começa a ter seus limites rompidos a partir da década de 1960, com uma “consciência de que a mulher pode estar em qualquer lugar”.

Trajetórias e legados no carnaval

Helen Maria, que iniciou no carnaval ainda criança, comandou ritmistas da divisão de acesso e hoje atua em blocos e na Siri de Ramos. Laísa Lima, com dez anos de experiência em baterias, sendo responsável pelos tamborins da Beija-Flor de Nilópolis, agradece o reconhecimento e as oportunidades concedidas por figuras como Tatiana Santos e Annik Salmon.

Com informações da Agência Brasil