
A Série Ouro do Carnaval do Rio de Janeiro em 2026 promete uma disputa eletrizante pela volta ao Grupo Especial. Entre as escolas que desfilarão nos dias 13 e 14 de fevereiro, destacam-se agremiações com passagens e até títulos na elite do carnaval carioca, como Império Serrano e Estácio de Sá, além da Unidos de Padre Miguel, recém-rebaixada.
História e Tradição na Disputa
O Império Serrano, tricampeão do Grupo Especial (1960, 1972, 1982), e a Estácio de Sá, campeã em 1992, chegam à Série Ouro com o peso de suas glórias passadas e a ambição de retornar à primeira divisão.
Unidos de Padre Miguel: Busca por Reconstrução
A Unidos de Padre Miguel (UPM) se junta à lista de fortes candidatas após um rebaixamento em 2025. A escola apresentará o enredo “Kunhã-Eté – O sopro sagrado da Jurema”, que celebra a trajetória da guerreira indígena potiguara Clara Camarão. A agremiação busca reverter o que considera uma injustiça no julgamento do ano anterior, contestando notas e falhas de som durante seu desfile.
O enredo da UPM exalta a espiritualidade indígena, com foco no Toré e na Jurema, e destaca o protagonismo feminino e a força ancestral. O carnavalesco Lucas Milato ressaltou a importância de Clara Camarão como símbolo de resistência e combate ao apagamento histórico das mulheres.
O desfile contará com 22 alas e três alegorias, com uma proposta estética que mescla o barroco das batalhas com o misticismo da Jurema Sagrada. A escola aposta na força de sua comunidade e na mensagem de dignidade e crítica social.
Estácio de Sá: Homenagem e Legado
A Estácio de Sá, agremiação mais antiga do Rio, apresentará o enredo “Tatá Tancredo: o Papa Negro no terreiro do Estácio”, em homenagem ao escritor, compositor e líder religioso Tancredo da Silva Pinto. A escola, que tem suas raízes no Morro de São Carlos, busca o acesso para celebrar seu centenário em 2027.
O carnavalesco Marcus Paulo destacou a importância de Tancredo na preservação da identidade afro-brasileira, unindo samba e umbanda. O enredo percorrerá a vida e obra de Tancredo, desde sua infância em Cantagalo até sua atuação como fundador da umbanda omolokô e sua influência cultural no Rio de Janeiro.
Marcus Paulo ressaltou que, apesar da relevância de Tancredo, sua história é pouco registrada, o que motivou a busca pela oralidade e pela memória da comunidade. O desfile promete emocionar com um samba forte e um enredo que carrega a essência do homenageado.
Como reconhecimento, Tancredo da Silva Pinto ganhará uma estátua no bairro do Estácio, um projeto da Prefeitura do Rio. O carnavalesco Marcus Paulo também foi responsável por elaborar o encerramento da abertura das Olimpíadas de 2016 e teve um figurino exposto no Museu Olímpico de Zurique.
Ordem dos Desfiles da Série Ouro 2026:
Sexta-feira, 13 de fevereiro
Sábado, 14 de fevereiro
Com informações da Agência Brasil







