quinta-feira, 4 de junho de 2026

Salgueiro fechará desfiles de 2026 com homenagem a Rosa Magalhães

O carnavalesco do Salgueiro, Jorge Silveira, revelou em entrevista à Agência Brasil os detalhes do enredo que celebrará a vida e obra de Rosa Magalhães. “A Rosa é professora e nos ensinou a amar o Brasil e a brasilidade por meio dos seus carnavais. A cada ano, ela descortinou o mundo da identidade brasileira na passarela com seus trabalhos. É um carnaval de agradecimento ao universo imaginativo com que a Rosa nos presenteou”, explicou Silveira.

Um legado de inovação e diversidade

Com uma carreira de 50 anos e passagens por 12 agremiações do Rio de Janeiro, Rosa Magalhães deixou uma marca indelével no carnaval. Jorge Silveira destacou a diversidade de seu trabalho como um dos principais desafios para o desenvolvimento do enredo. “Sem dúvida é a artista que ficou mais tempo no processo de produção de carnaval. Rosa Magalhães é a única artista que venceu nas cinco décadas em que foi carnavalesca, portanto, sempre foi uma artista inovadora e relevante, de uma produção absolutamente incrível”, ressaltou.

Em vez de um enredo biográfico, o Salgueiro apostará na memória coletiva, recriando fisicamente os símbolos que marcaram os desfiles de Rosa, como anjinhos, coroas e jegues, mesclados a novos elementos para evocar as emoções que ela proporcionou ao público.

Raízes no Salgueiro e a “Revolução Salgueirense”

A homenagem ganha um significado ainda maior por Rosa Magalhães ter iniciado sua carreira artística no Salgueiro. Ela é considerada “fruta e filha da revolução salgueirense dos anos 60”, um movimento estético liderado por Fernando Pamplona e Arlindo Rodrigues, que transformou o carnaval carioca e do qual Rosa foi aluna.

A Biblioteca de Rosa Magalhães como inspiração

Um dos pilares da obra de Rosa Magalhães era a literatura como ponto de partida para seus enredos. O carnaval do Salgueiro irá mergulhar na “biblioteca” da carnavalesca, onde seus personagens aguardam a celebração. A pesquisa para o enredo utilizou o vasto acervo deixado por Rosa na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), com mais de 4 mil imagens digitalizadas.

Curiosamente, os materiais dos carnavais de 1990 e 1991, ambos assinados por Rosa no Salgueiro, não estavam nos arquivos da Uerj. A solução veio de forma emocionante: durante uma festa em memória da carnavalesca, as pastas com os desenhos faltantes foram entregues à escola.

A influência de uma mestra

Jorge Silveira, que teve a oportunidade de trabalhar como assistente de Rosa Magalhães, descreveu a mestra como uma pessoa de extrema simplicidade e humildade, apesar de sua grandeza. “Ela botou todos eles [os carnavalescos homens] debaixo do braço e ganhou de todo mundo”, afirmou, referindo-se ao ambiente predominantemente machista da época.

Comissão de frente com a leveza de Rosa

Os ensaios para a comissão de frente, coreografada por Paulo Pinna, já começaram e seguem intensos. Pinna destacou a responsabilidade de representar o universo de Rosa Magalhães, conhecida por sua irreverência e leveza. “A Rosa fazia muito bem isso e conseguia usar poucos elementos que se decodificavam em vários para poder contar uma narrativa”, comentou o coreógrafo, que promete surpresas para o desfile.

Com informações da Agência Brasil