
O Bloco Quizomba reuniu uma multidão no Aterro do Flamengo, no Rio de Janeiro, durante o carnaval, com um desfile marcado por mensagens de conscientização ecológica e combate ao feminicídio. Sob o tema “Verde que te Quero Ver”, o bloco buscou alertar sobre a importância da preservação ambiental e a recuperação dos biomas brasileiros.
Um chamado à reflexão e ação
André Schmidt, fundador e mestre de bateria do Quizomba, destacou a intenção do bloco em levar para as ruas a urgência de se pensar no futuro do planeta. “Nossa ideia é de levar para a avenida a necessidade de pensar o futuro do planeta”, afirmou Schmidt.
Além da pauta ambiental, o Quizomba também abordou o combate à violência contra as mulheres e ao feminicídio, em parceria com o Levante Mulheres Vivas. “O carnaval é um teatro a céu aberto e como todo teatro a gente tem momentos de reflexão, ainda mais aqui no Brasil que o feminicídio só aumenta. Nós, homens, temos que nos conscientizar, temos que falar com outros homens, que têm que apoiar a pauta feminista”, ressaltou o fundador.
Números alarmantes de feminicídio e medidas protetivas
Os dados do sistema judiciário brasileiro revelam um cenário preocupante: em 2025, a Justiça julgou, em média, 42 casos de feminicídio por dia, totalizando 15.453 julgamentos, um aumento de 17% em relação ao ano anterior. No mesmo período, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) registrou a concessão de 621.202 medidas protetivas, o que equivale a 70 medidas por hora.
A pluralidade musical do Quizomba
A bateria do bloco, composta por 160 integrantes, é formada por alunos da oficina de percussão do Quizomba, que ocorre no Circo Voador. “O Quizomba é um bloco plural. Fomos um dos precursores da revitalização do carnaval carioca. A gente traz samba, axé, marchinha, samba reggae, rock, pop rock”, explicou Schmidt.
Criado em 2001 no Rio de Janeiro a partir de uma oficina de percussão, o Quizomba nasceu da união de amigos com o propósito de celebrar a diversidade musical brasileira através de uma festa de rua. A publicitária Patricia Lima, que toca tamborim no bloco, compartilhou sua experiência: “Eu me apaixonei pelo bloco e resolvi fazer a oficina há três anos. O que me atraiu foi o repertório com MPB, samba enredo, rock. É muito diversificado”.
Andreia Martins, professora que veio de Juiz de Fora para o Rio de Janeiro especificamente para participar do bloco, destacou a importância dos temas abordados. “Acho importante o grupo que toca tambor porque reforça nossa ancestralidade. Achei importante o tema da natureza, que está pedindo socorro. Tudo que faça uma ode à preservação ambiental é muito importante”, disse.
Com informações da Agência Brasil







