sexta-feira, 5 de junho de 2026

Mercado reduz projeção da inflação para 3,99% em 2026, segundo boletim Focus

A expectativa do mercado financeiro para a inflação oficial do Brasil em 2026, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), foi reduzida de 4% para 3,99%. A previsão foi divulgada nesta segunda-feira (2) no boletim Focus, pesquisa semanal do Banco Central (BC) que compila as projeções de instituições financeiras.

Esta é a quarta semana consecutiva em que a projeção para a inflação de 2026 é ajustada para baixo. A estimativa atual está dentro do intervalo da meta de inflação estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou menos (entre 1,5% e 4,5%).

Projeções para os próximos anos e inflação recente

Para 2027, a projeção da inflação se manteve em 3,8%. As previsões para 2028 e 2029 são de 3,5% para ambos os anos.

Em dezembro de 2025, a inflação acumulada no ano foi de 4,26%. A alta foi impulsionada principalmente pelos preços de transportes por aplicativo e passagens aéreas, que registraram uma variação de 0,33% naquele mês, superior aos 0,18% de novembro.

Taxa Selic e política monetária

A taxa básica de juros, a Selic, permanece em 15% ao ano, nível mantido pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central pela quinta vez consecutiva. Apesar da queda na inflação e no dólar, o Copom indicou em comunicado que poderá iniciar o ciclo de cortes na taxa em março, caso a inflação permaneça sob controle e o cenário econômico não apresente surpresas.

As projeções dos analistas para o fim de 2026 indicam que a Selic pode cair para 12,25% ao ano. Para 2027 e 2028, as estimativas apontam para reduções a 10,5% e 10% ao ano, respectivamente. Em 2029, a taxa básica de juros é prevista em 9,5% ao ano.

O Banco Central utiliza a Selic como principal ferramenta para controlar a inflação. Aumentos na taxa encarecem o crédito e incentivam a poupança, ajudando a conter a demanda aquecida e, consequentemente, os preços. Reduções na Selic tendem a baratear o crédito, estimular o consumo e a produção, podendo impulsionar a atividade econômica.

Crescimento econômico e câmbio

A previsão para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2026 foi mantida em 1,8%. Para 2027, a estimativa para o PIB também ficou em 1,8%. O mercado financeiro projeta uma expansão de 2% para o PIB em 2028 e 2029.

Em 2024, a economia brasileira fechou com alta de 3,4%, marcando o quarto ano seguido de crescimento e a maior expansão desde 2021. O resultado consolidado do PIB de 2025 será divulgado pelo IBGE em 3 de março.

A previsão para a cotação do dólar ao final de 2026 é de R$ 5,50, mesmo patamar estimado para o fim de 2027.

Com informações da Agência Brasil