domingo, 19 de julho de 2026

Mata Atlântica: restauração florestal na Bahia reduz tempo de crescimento em 50%

Restauração acelerada na Mata Atlântica

Uma iniciativa inovadora na Bahia está revolucionando a restauração da Mata Atlântica. Através de um programa de melhoramento genético, o tempo de crescimento de espécies florestais foi reduzido em até 50%, resultando na criação de florestas mais resilientes às mudanças climáticas e produtivas.

Estratégia de recuperação ambiental

A estratégia, iniciada em 2014 pela Symbiosis, envolveu a coleta e mapeamento de indivíduos com alto potencial de conservação. A seleção buscou espécies com genética adaptada para garantir o sucesso do reflorestamento.

Seleção de espécies centenárias

A Empresa Brasileira de Reflorestamento recuperou 1 mil hectares do bioma, priorizando 45 espécies nativas. Exemplares como jacarandá, jequitibá, ipês e angicos foram escolhidos por sua capacidade de adaptação. “Muitas dessas matrizes são centenárias, sobreviveram ao processo histórico de exploração da Mata Atlântica e carregam uma genética extremamente adaptada”, explica Mickael Mello, gerente do viveiro de mudas da Symbiosis.

Diversidade genética para resiliência

As novas florestas foram estruturadas para garantir variabilidade genética, essencial para a recomposição da diversidade e a adaptação a desafios ambientais. “Ao identificar e selecionar aqueles mais adaptados e resilientes, favorece-se a recuperação de populações mais estáveis”, afirma Laura Guimarães, supervisora de melhoramento genético da Symbiosis.

Fragmentação e seus impactos

A Mata Atlântica, que outrora cobria cerca de 130 milhões de hectares, hoje resta apenas 24% de sua cobertura original, com apenas 12,4% de florestas maduras. Essa fragmentação compromete a variabilidade genética e a capacidade adaptativa das espécies, tornando-as mais suscetíveis a eventos climáticos extremos.

Serviços ecossistêmicos ameaçados

A redução da diversidade impacta diretamente a vida humana, afetando serviços ecossistêmicos cruciais como a disponibilidade de água, a qualidade do ar e a produtividade de alimentos. “Isso acaba contribuindo, de forma global, para todos esses problemas climáticos que a gente vem tendo”, alerta Rafael Bitante Fernandes, gerente de Restauração Florestal da Fundação SOS Mata Atlântica.

Restauração como investimento

A pressão gerada pelo declínio da Mata Atlântica tem levado empresas privadas a enxergar a restauração florestal como um investimento e oportunidade de negócio. Modelos de manejo sustentável permitem a exploração de produtos madeireiros e subprodutos, sem a necessidade de corte raso.

Pacto pela Restauração da Mata Atlântica

O movimento pela restauração ganhou força com o Pacto pela Restauração da Mata Atlântica, estabelecido em 2009, com a meta de recuperar 15 milhões de hectares até 2050. A iniciativa envolve governos, organizações sociais e o setor privado.

Mata Atlântica como modelo global

A Mata Atlântica tem sido reconhecida internacionalmente como um modelo de restauração ambiental, figurando entre os dez exemplos a serem adotados globalmente, segundo congressos internacionais. Ações qualificadas em prol da restauração a colocam como uma das principais “flagships” mundiais.

Desafios e políticas públicas

Apesar dos avanços, a restauração completa da Mata Atlântica ainda enfrenta desafios. A necessidade de sensibilização em áreas privadas, que compõem 90% do bioma, é crucial. Políticas públicas robustas, como pagamentos por serviços ambientais e incentivos fiscais, são fundamentais para impulsionar a restauração em larga escala.

Potencial de geração de empregos

A restauração da Mata Atlântica não apenas conserva a biodiversidade e resgata serviços ecossistêmicos, mas também apresenta um enorme potencial de geração de empregos. Estima-se que a recuperação de 15 milhões de hectares possa criar um benefício social gigantesco, com a geração de um emprego a cada dois campos de futebol.

Com informações da Agência Brasil