sábado, 18 de julho de 2026

Minas Gerais lidera ranking nacional de áreas urbanas em encostas íngremes com risco

Minas Gerais é o estado brasileiro com a maior área urbanizada em alta declividade, segundo dados divulgados pelo MapBiomas. Quase 14,5 mil hectares no estado abrigam pessoas vivendo em locais de risco, onde a construção em encostas íngremes representa perigo, especialmente em períodos de fortes chuvas.

Ocupação em terrenos inclinados e crescimento acelerado

O estudo do MapBiomas, que analisou a ocupação de cidades nos últimos 40 anos, aponta que o crescimento de áreas urbanas em terrenos inclinados ocorreu em ritmo mais acelerado do que a urbanização geral. Enquanto as áreas urbanas no Brasil cresceram 2,5 vezes entre 1985 e 2024, as construções em encostas mais que triplicaram no mesmo período.

As áreas construídas em regiões com declividade acentuada e maior risco de erosão e deslizamento aumentaram de 14 mil hectares em 1985 para 43,4 mil hectares em 2024. A coordenadora do estudo, Mayumi Hirye, destaca a influência das mudanças climáticas e dos episódios extremos nesse cenário.

Juiz de Fora e outras cidades em risco

Juiz de Fora (MG), município severamente atingido por chuvas recentes, figura como a terceira cidade brasileira com maior área urbanizada em declive. Em 2024, a cidade possuía 1.256 hectares construídos em áreas de risco. As capitais Rio de Janeiro (RJ) e São Paulo (SP) lideram a lista com 1,7 mil e 1,5 mil hectares, respectivamente. Santa Catarina (SC) e Rio de Janeiro (RJ) também apresentam grandes extensões urbanizadas em terrenos inclinados.

Proximidade de rios e o risco de inundações

Além do risco de deslizamentos, a proximidade de rios e córregos, essenciais para a drenagem natural das cidades, também eleva a exposição a enxurradas. Em 2024, 1,2 milhão de hectares de áreas urbanas no Brasil apresentavam maior risco de inundação por essa característica.

O Rio de Janeiro lidera entre os estados com maior território urbano em risco pela proximidade de áreas de drenagem natural, com 108,2 mil hectares. Em Rondônia (RO), a construção em áreas próximas à drenagem natural mais que duplicou, passando de 7,3 mil hectares em 1985 para 18,8 mil hectares em 2024.

Edmilson Rodrigues, engenheiro ambiental do Mapbiomas, ressalta que, embora as cidades historicamente se estabeleçam perto de corpos d’água, as mudanças climáticas intensificam os riscos associados a essa proximidade. “É importante monitorar a expansão de áreas urbanizadas em margens fluviais, buscando conservar o ambiente e a qualidade de vida da população”, conclui.

Com informações da Agência Brasil