quinta-feira, 4 de junho de 2026

Maracatu Cambinda Brasileira comemora 108 anos de resistência cultural em Pernambuco

O Maracatu Cambinda Brasileira, um dos mais emblemáticos representantes do maracatu rural ou de baque solto, celebra seus 108 anos de existência neste carnaval. Fundado em 1918, o grupo ostenta o título de mais antigo maracatu rural em atividade contínua no Brasil, consolidando sua importância como um símbolo de resistência cultural e identidade pernambucana.

Originário dos engenhos da Zona da Mata de Pernambuco, o maracatu rural surgiu entre os séculos 19 e 20, com raízes fincadas no trabalho dos antigos trabalhadores rurais. Ao longo de mais de um século, essa rica tradição folclórica absorveu e mesclou influências das culturas africana, indígena e europeia, resultando em uma manifestação única.

Walter França, um dos maiores especialistas em maracatu, explica a distinção entre os tipos de maracatu pernambucano: “No maracatu pernambucano existem alguns tipos. Os mais tradicionais correspondem ao maracatu de baque virado, ou maracatu nação, e o outro é o maracatu de baque solto, ou também chamado de maracatu rural. Basicamente, essas são as diferenças entre os dois tipos de maracatu”, esclarece.

A figura do caboclo de lança

Segundo o mestre Anderson Miguel, a figura do caboclo de lança é central no maracatu rural, personificando força, proteção e resistência. Ele detalha a importância e o simbolismo por trás da indumentária e dos gestos do caboclo.

O significado por trás da fantasia

“A Cambinda Brasileira carrega uma história muito rica na cultura. Feita por povo pobre, mas que ama o que faz. Muita coisa mudou a maneira de fazer maracatu hoje. Minhas fantasias mudaram também, o investimento é muito alto para se manter. O caboclo de lança é a figura importante do maracatu. É a função de guardião do maracatu. E quando ele se veste com a gola, com o chapéu, com a lança, ele toma toda a atenção do público. Mas, por trás da fantasia, tem muita história envolvida, começando pelo cravo que ele carrega na boca. Ali está toda a essência do caboclo, toda a sua proteção, todo o seu preparo, na nossa linguagem”, revela o mestre.

Os primeiros registros do folguedo datam de 1711, com forte presença no Recife, Olinda e em diversas cidades da Zona da Mata. A celebração dos 108 anos do Maracatu Cambinda Brasileira neste carnaval reforça seu papel como um dos maiores símbolos de resistência cultural e identidade do povo pernambucano.

Com informações da Agência Brasil