domingo, 19 de julho de 2026

Janeiro registra o dobro de focos de calor em relação à média histórica

Janeiro de 2026 apresentou um cenário atípico em relação aos focos de calor no Brasil, com 4.347 detecções registradas pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Este número representa o dobro da média histórica para o mês e um aumento de 46% em comparação com janeiro de 2025. É o sexto maior resultado desde o início do levantamento em 1999 e o segundo da década, atrás apenas de 2024.

Pará e Nordeste em destaque

O estado do Pará foi o que mais registrou focos de calor, com 985 ocorrências, em um contexto de seca que afeta a região. A concentração de focos também é notável no Nordeste, com Maranhão (945), Ceará (466) e Piauí (229) entre os estados mais afetados. A persistência da seca e chuvas abaixo da normalidade na Região Norte contribuem para este cenário.

Maranhão em situação preocupante

No Maranhão, a situação é particularmente preocupante, com todo o território estadual sofrendo com a estiagem. 2026 já se configura como o ano com o maior número de focos de calor registrados no estado desde o início da série histórica, superando o recorde anterior de 2019.

O que dizem os estados

Estados como Pará e Ceará analisam os dados com ressalvas. O Pará, por meio de sua Secretaria de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade (Semas), aponta que recortes temporais curtos podem não refletir uma tendência anual consolidada. Já o Ceará, através da Secretaria do Meio Ambiente e Mudança do Clima (Sema), associa o elevado número de focos de calor de janeiro ao cenário de dezembro de 2025, destacando que nem todos os focos representam necessariamente incêndios em vegetação.

O Governo do Maranhão informou a intensificação de ações preventivas e de combate, incluindo campanhas educativas, doação de equipamentos e uso de drones. Apesar das medidas, a severa estiagem é apontada como um fator determinante para o aumento das queimadas.

Embora a quantidade de focos em janeiro não garanta um ano com mais queimadas que a média, a análise histórica indica que, em anos com janeiro de alta incidência, apenas 2016 apresentou um resultado anual abaixo da média nacional de 200 mil registros.

Com informações da Agência Brasil