
A indústria de máquinas e equipamentos iniciou 2026 em ritmo de desaceleração, após um crescimento moderado no final de 2025. Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), a política monetária contracionista é o principal fator por trás dessa retração.
Receita líquida em queda
Em janeiro de 2026, a receita líquida total do setor atingiu R$ 17,3 bilhões, apresentando uma queda de 17% em relação a janeiro de 2025 e de 19,3% em comparação a dezembro de 2025. Essa diminuição foi observada tanto no mercado doméstico quanto no externo.
Mercado doméstico afetado pela política monetária
No mercado interno, a queda de 19% na receita foi atribuída pela Abimaq a um “reflexo da política monetária contracionista”. Isso resultou na inibição de investimentos, aumento do custo de vida, comprometimento da renda e elevação da inadimplência.
Exportações sofrem com câmbio e tarifas
As exportações de máquinas e equipamentos totalizaram US$ 838 milhões em janeiro, uma queda de 41,5% em relação a dezembro, embora tenha havido um crescimento de 3,1% em comparação a janeiro de 2025. A Abimaq atribui a retração mensal a fatores sazonais e a uma base de comparação elevada, já que dezembro de 2025 registrou o segundo maior valor histórico.
A valorização de 11% do real frente ao dólar também impactou negativamente o desempenho no mercado externo. O setor de máquinas agrícolas, em particular, foi afetado por tarifas de 50% impostas pelo governo dos Estados Unidos, principal destino desses produtos. Pedro Estevão Bastos, presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas da Abimaq, expressou cautela, apesar de um impacto inicial menor do que o previsto e da decisão da Suprema Corte americana de derrubar tarifas globais impostas por Donald Trump.
Importações em patamares elevados
As importações somaram US$ 2,48 bilhões em janeiro, apresentando queda. Contudo, a Abimaq ressalta que os volumes de importação permanecem altos, uma tendência que se intensificou com a pandemia da COVID-19, levando à substituição da produção nacional por bens importados, especialmente da China, responsável por mais de 32% das máquinas importadas pelo Brasil.
Emprego com leve alta
Em janeiro, o setor registrou um aumento no número de empregados, alcançando 418,9 mil colaboradores, o que representa um acréscimo de 18 mil pessoas em relação a janeiro de 2025. No entanto, esse número ainda é 2% inferior ao de outubro de 2025.
Perspectivas para 2026
A Abimaq projeta um crescimento de 3,5% na produção física e de cerca de 4% na receita líquida para 2026, impulsionado pelo mercado doméstico, com expectativa de expansão de demanda próxima a 5,6%. Apesar disso, Pedro Estevão Bastos estima uma retração nas vendas em relação a 2025, possivelmente em torno de 5%, sem considerar fatores externos como o conflito no Oriente Médio.
Com informações da Agência Brasil







