
O número de brasileiros com contas e empréstimos em atraso atingiu o maior patamar em mais de uma década. Segundo dados divulgados pelo Banco Central (BC) nesta quinta-feira (29), a taxa de inadimplência das pessoas físicas no crédito com recursos livres — aquele sem destinação específica, como cartão de crédito e cheque especial — subiu para 8,1% em setembro.
Este é o maior nível da série histórica do Banco Central, iniciada em 2011. Em apenas 12 meses, o calote das famílias nessa modalidade cresceu 1,2 ponto percentual, refletindo o aperto no orçamento dos trabalhadores.
Em contrapartida, as empresas demonstraram maior fôlego financeiro: o calote das pessoas jurídicas caiu levemente para 4,2% no mês. Considerando todas as modalidades de empréstimo (incluindo financiamentos habitacionais e rurais), a inadimplência média geral do país ficou estável em 5%.
Juros cobrados pelos bancos voltam a subir
Junto com o aumento do calote, pegar dinheiro emprestado ficou mais caro no Brasil. A taxa média de juros cobrada pelos bancos subiu para 32,4% ao ano em setembro.
A alta foi puxada principalmente pelas pessoas físicas:
Juros para famílias: subiram para 38,5% ao ano (alta de 0,3 p.p.).
Juros no crédito livre: chegaram a 49% ao ano no acumulado médio.
Juros para empresas: caíram levemente, fechando o mês em 19,4% ao ano.
O relatório do BC também apontou aumento no chamado spread bancário — que é a diferença entre o valor que o banco paga para captar o dinheiro e o valor cobrado do cliente no empréstimo. Essa margem subiu para 21,6 pontos percentuais no geral, chegando a 28 pontos percentuais no crédito para as pessoas físicas, indicando que as instituições financeiras encareceram os empréstimos para se proteger do risco de calote.







