quinta-feira, 4 de junho de 2026

Exposição no CCBB do Rio revela o olhar amazônico de fotógrafas do Pará

O Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) do Rio de Janeiro abre nesta quarta-feira (11) a exposição “Vetores-Vertentes: Fotógrafas do Pará”, uma iniciativa do Museu das Mulheres que celebra a produção fotográfica de 11 artistas paraenses. A mostra apresenta 170 obras que abrangem três gerações de fotógrafas, oferecendo uma experiência imersiva que combina recursos sensoriais e tecnológicos.

O público poderá conhecer o trabalho de nomes pioneiros como Leila Jinkings, Cláudia Leão, Bárbara Freire, Paula Sampaio e Walda Marques, além de artistas como Evna Moura, Renata Aguiar, Nay Jinkings e Nailana Thiely. A exposição se estende até as novas gerações com as obras de Deia Lima e Jacy Santos.

Experiências imersivas e memória visual

A exposição convida os visitantes a explorarem parte das fotografias em realidade aumentada. Uma instalação sensorial, “Icamiabas”, oferece composições aromáticas inspiradas em guerreiras indígenas amazônicas. Adicionalmente, o filme em realidade virtual “Mukathu-hary” (Curandeira, em tupi) transporta o espectador para uma aldeia indígena, proporcionando uma imersão em paisagens milenares. As salas da exposição trazem narrativas visuais que abordam temas como identidade, território, memória, ancestralidade e resistência.

A Amazônia sob diferentes olhares

A fotógrafa Evna Moura destaca a importância da exposição como um reencontro com sua trajetória, apresentando diferentes fases de seu olhar sobre as ilhas e comunidades amazônicas, como Combu e Marajó. Suas obras incluem fotografias em preto e branco, coloridas e as experimentais “fotos expandidas”, como impressões em folhas utilizando o método de fototipia com pigmentos naturais.

Evna ressalta o caráter intergeracional da mostra e o impacto de seu trabalho como artista e educadora nas novas gerações. “Cláudia Leão foi minha professora na universidade e é uma inspiração. Leila Jinkings também é uma referência fundamental. Estar aqui com essas mulheres é muito significativo”, afirma Evna, que também celebra os encontros com ex-alunos que hoje seguem carreiras em artes visuais.

A presença da Amazônia como eixo central em sua produção é vista por Evna como um elemento político e simbólico para romper visões estereotipadas. “Trazer esses elementos para o Sudeste é também afirmar outras narrativas sobre nós. Mostrar uma Amazônia que não é apenas a da miséria, mas também da riqueza cultural, estética e humana”, declara a artista.

Pioneirismo e a força da narrativa feminina

Leila Jinkings, uma figura fundamental na fotografia paraense, revisita imagens produzidas desde o final dos anos 1970, incluindo registros de povos indígenas, travestis e manifestações políticas. “Gosto muito das fotografias do povo Kayapó. São imagens que levantam reflexões sobre choque cultural com os não indígenas”, comenta Leila, que também relembra o contexto histórico de sua produção durante a ditadura militar.

A curadora Sissa Aneleh explica que a organização da exposição reflete uma leitura histórica e conceitual da fotografia paraense, baseada em sua pesquisa acadêmica de mais de 15 anos. “Uma exposição nunca será suficiente para mostrar toda a produção artística do Pará, mas podemos revelar sua força conceitual, estética e narrativa”, pondera Sissa.

O conceito de “visualidade amazônica” é o eixo estruturante da mostra, emergindo nas décadas de 70 e 80 como um reflexo da busca por elementos imediatamente identificáveis com a região, como água, território e a presença feminina, que atravessam as diversas obras.

Serviço

Vetores-Vertentes: Fotógrafas do Pará
Local: CCBB Rio de Janeiro
Temporada: 11 de fevereiro a 30 de março
Visitação: quarta a segunda, das 9h às 20h
Ingressos: site do CCBB e link da bio do Museu das Mulheres
Entrada: gratuita
Classificação: livre

Com informações da Agência Brasil