quarta-feira, 22 de julho de 2026

Dólar sobe e petróleo dispara com ataques militares ao Irã; entenda o impacto

Alta do petróleo ligada ao Estreito de Ormuz

A escalada militar no Oriente Médio provocou um disparo no preço do petróleo e alta do dólar, refletindo a apreensão dos mercados com a instabilidade na região. Analistas apontam o Estreito de Ormuz como ponto central da preocupação.

Localizado ao sul do Irã, o Estreito de Ormuz é uma passagem marítima crucial que liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã. Por ele, transita cerca de 20% da produção mundial de petróleo e gás.

Segundo o economista Rodolpho Sartori, da Austin Rating, o estreito é a principal rota para o transporte de petróleo de grandes produtores como Irã, Arábia Saudita e Iraque. “É o principal fator que faz o preço do petróleo explodir. Com o Estreito de Ormuz fechado, a oferta cai muito e, consequentemente, os preços sobem quase que de forma imediata”, explicou à Agência Brasil.

No dia dos primeiros ataques, relatos indicaram centenas de embarcações ancoradas, impedidas de atravessar o estreito. Sartori observou que o barril do Brent chegou a ter alta de 13%, superando US$ 80, demonstrando a volatilidade em cenários de conflito.

Questões logísticas e impacto na produção

Otávio Oliveira, gerente da tesouraria do Banco Daycoval, destaca que a preocupação global reside na logística e não na capacidade produtiva. A Opep+ já anunciou aumento de produção para suprir qualquer eventual retirada do Irã do mercado.

No entanto, a interrupção do tráfego no Estreito de Ormuz, por ser uma passagem estreita, pode gerar um “caos” nas cadeias produtivas. Oliveira alerta que mesmo o Brasil, exportador de petróleo, pode ser afetado pela importação mais cara de derivados.

Inflação e juros em risco

Um conflito prolongado pode levar ao repasse dos altos preços do petróleo para o consumidor, gerando um “repique na inflação”, segundo Sartori. Oliveira não descarta que o cenário possa influenciar a magnitude dos cortes na taxa Selic.

O Comitê de Política Monetária (Copom) planeja reduzir os juros em março, mas o conflito pode levar a um corte mais tímido, de 0,25 ponto percentual em vez dos esperados 0,50 p.p.

Dólar em alta e fuga de risco

O dólar interrompeu sua trajetória de queda e apresentou alta, beirando R$ 5,20. Oliveira explica que o movimento é uma “fuga do risco”, onde investidores migram de mercados emergentes para economias mais consolidadas, fortalecendo o dólar globalmente.

Sartori considera o cenário do dólar complexo. Embora incertezas globais historicamente fortaleçam a moeda, a gestão política atual pode pesar contra. Ele estima que o dólar oscilará entre R$ 5,20 e R$ 5,25 nos próximos dias.

Com informações da Agência Brasil