quinta-feira, 23 de julho de 2026

Dívida Pública brasileira se mantém estável em R$ 8,6 trilhões em janeiro

A Dívida Pública Federal (DPF) registrou uma leve alta de 0,07% em janeiro, atingindo R$ 8,641 trilhões, ante R$ 8,635 trilhões em dezembro. A estabilidade, segundo o Tesouro Nacional, ocorreu devido aos juros elevados, que compensaram o grande volume de vencimentos de papéis prefixados no período. Em agosto do ano passado, a DPF já havia superado a marca de R$ 8 trilhões.

Dívida interna e externa

A Dívida Pública Mobiliária interna (DPMFi) apresentou um aumento de 0,26%, saltando de R$ 8,309 trilhões para R$ 8,33 trilhões. Apesar de o Tesouro ter resgatado R$ 67,02 bilhões a mais em títulos do que emitiu, principalmente os vinculados à Selic, esse valor foi neutralizado pela apropriação de R$ 88,53 bilhões em juros. A Taxa Selic, atualmente em 15% ao ano, pressiona o endividamento do governo.

Já a Dívida Pública Federal externa (DPFe) apresentou uma queda de 4,75%, passando de R$ 326,07 bilhões para R$ 310,59 bilhões. A desvalorização do dólar em 4,95% no mês foi o principal fator para essa redução.

Colchão da dívida e vencimentos

O chamado “colchão” da dívida pública, que é a reserva financeira utilizada em momentos de turbulência, recuou pelo segundo mês consecutivo, de R$ 1,187 trilhão em dezembro para R$ 1,085 trilhão em janeiro. Essa diminuição se deveu principalmente ao resgate líquido de títulos. Atualmente, a reserva cobre 6,77 meses de vencimentos, o menor patamar desde março do ano passado. Nos próximos 12 meses, a previsão é de vencimento de R$ 1,424 trilhão em títulos federais.

Composição e prazo

Com o expressivo vencimento de títulos prefixados, a composição da DPF sofreu alterações. Títulos prefixados, que oferecem maior previsibilidade, tiveram suas emissões reduzidas em janeiro devido à instabilidade do mercado financeiro, que elevou os juros exigidos pelos investidores. Por outro lado, os títulos vinculados à Selic atraem compradores devido às altas taxas de juros.

O prazo médio da DPF aumentou ligeiramente, passando de 4 para 4,03 anos. Esse indicador representa o tempo médio que o governo leva para renovar sua dívida e prazos mais longos tendem a sinalizar maior confiança dos investidores.

Detentores da dívida

A participação de investidores não residentes (estrangeiros) na Dívida Pública Federal interna subiu em janeiro em relação a dezembro. Em dezembro, essa participação era de 10,35%. Em novembro de 2024, o percentual atingiu 11,2%, o maior nível desde setembro de 2018.

A dívida pública é a forma pela qual o governo capta recursos emprestados de investidores para honrar seus compromissos, devolvendo os valores com correção ao longo do tempo, atrelada a índices como a Selic, a inflação ou o dólar, ou com taxa prefixada.

Com informações da Agência Brasil