quinta-feira, 23 de julho de 2026

Cordão do Bola Preta celebra 107 anos de folia com tradição e novidades no Rio

O Cordão do Bola Preta, o bloco de Carnaval mais antigo em atividade no Brasil, celebrou 107 anos de história neste sábado (14), no centro do Rio de Janeiro. Foliões vestidos de branco com bolinhas pretas seguiram o trajeto tradicional, embalados por marchinhas e o hino oficial “Quem não chora, não mama”, em um desfile que destacou a relevância histórica do bloco com o tema “Bola Preta, DNA do Carnaval”.

O cortejo atraiu cariocas, turistas, famílias, idosos e crianças para a Rua Primeiro de Março e Avenida Presidente Antônio Carlos. A estudante Luana Flor, recém-formada em fisioterapia, escolheu o Bola Preta para comemorar sua conquista. “Não tinha lugar melhor para eu curtir a minha formatura. Escolhi o Bola Preta, porque é um bloco tradicional. Ele traz a história do Rio e é sempre muito cheio, tem uma energia muito boa”, disse.

A expectativa de encontrar celebridades era grande. A foliã Eliane Silva, que acompanha o bloco há 15 anos, carregava um cartaz chamando a atriz Paolla Oliveira para uma foto, com quem já posou em carnavais passados. Pouco antes do início da festa, a multidão foi ao delírio com a chegada de Paolla Oliveira, rainha do bloco. “Muito feliz de estar mais um ano aqui com o Bola Preta, que tem essa energia maravilhosa. Existe algo melhor do que essa festa aqui?”, declarou a atriz à Agência Brasil.

Cortejo Real e Sustentabilidade

A tradicional Corte Real do Bola Preta reforçou o brilho do desfile, com a participação de nomes como Leandra Leal (porta-estandarte), Neguinho da Beija-Flor (padrinho), Maria Rita (madrinha), Emanuelle Araújo (musa da banda), João Roberto Kelly (embaixador), Tia Surica da Portela (embaixadora) e Selminha Sorriso (musa das musas). A corte foi reforçada com as novas musas de 2026: Lú Bandeira, Flavia Jooris e Andrea Martins.

A animação ficou a cargo da Banda do Cordão da Bola Preta, sob regência do maestro Altamiro Gonçalves. Pelo terceiro ano consecutivo, o bloco mantém uma parceria com a Liga Amigos do Zé Pereira, o bloco Vagalume O Verde e o Parque Nacional da Tijuca/ICMBio para medir as emissões de gases poluentes dos geradores dos trios elétricos, visando a compensação de carbono do desfile.

Tradição e Reconhecimento

Fundado em 1918, o Cordão do Bola Preta tem sua trajetória entrelaçada à história do Carnaval brasileiro, tendo testemunhado guerras, mudanças políticas, censura e a pandemia de covid-19. O presidente do bloco, Pedro Ernesto, explica a origem do nome, inspirada por uma mulher com um vestido branco de bolinhas pretas vista no Bar Nacional. “A essência dos fundadores do Cordão da Bola Preta se mantém até hoje e é a razão de sermos sempre fortes, pujantes e termos superado muitas crises na trajetória de vida do bloco”, afirma.

Em reconhecimento à sua importância, o Cordão do Bola Preta foi declarado Patrimônio Histórico, Cultural e Imaterial do Estado do Rio de Janeiro em julho do ano passado. A Prefeitura do Rio anunciou ainda que o bloco ganhará um centro cultural em sua sede na Lapa, com obras previstas para o primeiro semestre deste ano.

Com informações da Agência Brasil