
O embaixador André Corrêa do Lago, à frente da presidência brasileira no espaço multilateral da ONU para ação climática, tem o desafio de concluir os mapas do caminho para o fim do desmatamento global e a transição para longe dos combustíveis fósseis até novembro deste ano. Estes documentos são cruciais para a redução expressiva das emissões de gases de efeito estufa.
Prioridades da presidência brasileira
Em entrevista exclusiva à Agência Brasil, Corrêa do Lago destacou a importância de consolidar os legados da COP30, realizada em Belém, e garantir que a preparação para a COP31, sediada na Turquia, absorva essas diretrizes. A nova fase das COPs, focada na implementação efetiva das ações climáticas, é uma das principais bandeiras.
Mapa do caminho para o fim dos combustíveis fósseis
A ideia do Mapa do Caminho para a transição energética foi lançada pelo presidente Lula. Embora a Colômbia tenha liderado um encontro sobre o tema, o embaixador ressalta a iniciativa brasileira. O objetivo é apresentar o roadmap em partes ao longo do ano, com consultas globais abertas até o fim de março para contribuições de países, observadores e partes interessadas.
A presidência brasileira propôs a elaboração deste roadmap como uma implementação da decisão de Dubai (COP28), que abordou a ideia de transição. Paralelamente, existe o informal Tratado de Não-Proliferação de Fósseis, no qual o Brasil e a Colômbia colaboram para que os esforços de cumprimento do consenso de Dubai sejam construtivos.
Desafios na agenda climática
Corrêa do Lago aponta o impacto econômico como um dos principais obstáculos para o avanço da agenda climática. A falta de uma estrutura universal dedicada à discussão de energia, dividida entre diversas entidades e com fortes consequências geopolíticas, dificulta o debate e a implementação de soluções.
A posição dos Estados Unidos e a China
O embaixador comentou sobre a aparente contradição na postura dos Estados Unidos, que, apesar de se retirarem da Convenção do Clima, demonstram interesse em recursos para a transição energética. Ele interpreta a posição atual do governo americano como uma tentativa de manter o status quo, com foco em energias tradicionais e biocombustíveis, o que pode estar ligado à sua posição como grande produtor de petróleo e gás.
Em contrapartida, a China, segunda maior economia mundial, tem apostado firmemente na transição energética. Essa diferença estratégica entre EUA e China é vista como um dos principais pontos de divergência econômica global.
Outras prioridades para 2024
Além dos mapas do caminho, a presidência brasileira busca completar a estrutura de financiamento climático para US$ 1.3 trilhão ao ano, aprimorando os números e fontes de recursos para países em desenvolvimento. O Acelerador, iniciativa para ir além da negociação e acelerar a implementação do Acordo de Paris, também é prioridade.
A adaptação climática e o fortalecimento da Agenda de Ação, estruturada na COP de Belém para ser um instrumento de implementação orientado pelo Balanço Global, também estão na pauta. O objetivo é consolidar a COP de Belém como uma etapa inovadora na transição da negociação para a implementação da ação climática.
A quantificação do financiamento climático e a clareza sobre os valores destinados a países em desenvolvimento são pontos cruciais para a construção de confiança e o avanço do consenso nas negociações. O Brasil, com apoio de economistas, busca aprimorar esses números para facilitar as discussões.
Com informações da Agência Brasil







