
As contas do setor público brasileiro (que incluem o Governo Federal, estados, municípios e empresas estatais) fecharam o mês de maio de 2026 no vermelho. Segundo dados divulgados pelo Banco Central nesta terça-feira (30), o déficit primário — que é o resultado das contas antes do pagamento dos juros da dívida — foi de R$ 56,1 bilhões. O rombo é bem maior do que o registrado em maio do ano passado, que foi de R$ 33,7 bilhões.
No acumulado dos últimos 12 meses, as contas públicas acumulam um saldo negativo de R$ 149 bilhões, o que equivale a 1,14% de tudo o que o país produz (o Produto Interno Bruto, ou PIB).
Quem mais gastou?
O grande responsável por puxar esse resultado para o vermelho foi o Governo Federal (Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central), sozinho responsável por um rombo de R$ 55,2 bilhões em maio.
Os governos regionais (estados e municípios) também fecharam no vermelho, com um saldo negativo de R$ 1,2 bilhão. Já as empresas estatais deram um leve alívio, fechando o mês no azul (superávit) com R$ 300 milhões.
O peso dos juros na dívida
A situação fica ainda mais complicada quando colocamos na conta os juros que o Brasil precisa pagar pela sua dívida. Só em maio, o país gastou R$ 107,5 bilhões apenas com juros, um aumento em relação aos R$ 92,1 bilhões gastos no mesmo mês do ano passado.
Quando somamos o rombo dos gastos com o custo desses juros, chegamos ao chamado déficit nominal. Em maio, esse rombo total foi de R$ 163,7 bilhões. No acumulado de 12 meses, o Brasil gastou R$ 1,26 trilhão a mais do que arrecadou, o que representa quase 10% (9,62%) de todo o PIB do país.
Dívida do país continua subindo
Com mais gastos e juros altos, a Dívida Líquida do Setor Público subiu e atingiu o equivalente a 67,9% do PIB (cerca de R$ 8,9 trilhões).
Para se ter uma ideia do impacto da economia nesses números:
Se a taxa básica de juros (Selic) caísse 1 ponto percentual e ficasse assim por um ano, o Brasil economizaria R$ 65 bilhões.
Se o dólar subir 1%, a dívida líquida do país cai R$ 8,8 bilhões (porque o governo tem reservas em dólar), mas a dívida bruta aumenta R$ 9,8 bilhões.







