sexta-feira, 26 de junho de 2026

Contas do Brasil com o exterior fecham maio com rombo de US$ 3,2 bilhões, diz Banco Central

O Brasil registrou um saldo negativo de US$ 3,2 bilhões em suas transações correntes em maio de 2026. Essas transações funcionam como uma “conta-corrente” do país e medem todas as compras e vendas de mercadorias e serviços, além de transferências de dinheiro entre o Brasil e o resto do mundo.

Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (26) pelo Banco Central. O resultado mostra uma leve melhoria em relação ao mesmo mês de 2025, quando esse rombo havia sido de US$ 3,3 bilhões.

Para entender como essa conta fechou, o Banco Central divide o resultado em três grandes pilares:

1. Balança Comercial (Venda e compra de produtos)

Foi o principal ponto positivo do mês. O Brasil vendeu mais produtos para fora do que comprou, gerando um superávit (saldo positivo) de US$ 7 bilhões em maio — acima dos US$ 6,4 bilhões do ano passado.

Exportações (Vendas): US$ 32 bilhões (alta de 6,4%).

Importações (Compras): US$ 25,1 bilhões (alta de 5,9%).

2. Serviços (Turismo, transportes e seguros)

A conta de serviços — que inclui o que os brasileiros gastam com viagens internacionais, fretes e seguros no exterior — registrou um saldo negativo de US$ 4,1 bilhões, um aumento em relação ao deficit de US$ 3,8 bilhões de maio de 2025.3. Renda Primária (Remessa de lucros e juros)

Esta conta mede o dinheiro que sai do país na forma de lucros que as empresas multinacionais mandam para suas matrizes no exterior e o pagamento de juros de dívidas. Ela registrou um rombo de US$ 5,5 bilhões em maio, exatamente o mesmo valor de um ano atrás.

Envio de lucros e dividendos: Subiu 6,8%, totalizando US$ 4,2 bilhões.

Pagamento de juros: Caiu 18,1%, recuando de US$ 1,7 bilhão para US$ 1,4 bilhão.

Investimentos estrangeiros dão salto e dobram em maio

A grande notícia positiva do relatório foi o forte ingresso de Investimentos Diretos no País (IDP), que são os recursos que os estrangeiros trazem para investir em empresas, fábricas ou negócios reais no Brasil (e não apenas em especulação na Bolsa).

O país recebeu US$ 8 bilhões em investimentos desse tipo em maio, mais que o dobro dos US$ 3,9 bilhões registrados no mesmo mês do ano anterior.

No acumulado dos últimos 12 meses, o Brasil atraiu US$ 83,3 bilhões em investimentos produtivos, o que equivale a 3,38% de toda a riqueza produzida no país (PIB) no período. Esse indicador é muito acompanhado por economistas, pois mostra a confiança do investidor estrangeiro a longo prazo na economia brasileira.

“Colchão de segurança” do país aumenta

O Banco Central informou ainda que as reservas internacionais do Brasil — que funcionam como uma espécie de “poupança em dólares” ou colchão de segurança contra crises externas — fecharam o mês de maio em US$ 371,1 bilhões. O valor representa um aumento de US$ 4,2 bilhões na comparação com o mês de abril.