quinta-feira, 23 de julho de 2026

CNI acompanha decisão da Suprema Corte dos EUA sobre tarifas e alerta para impacto em exportações brasileiras

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) informou que acompanha com “atenção e cautela” os desdobramentos da decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos de derrubar tarifas sobre produtos importados, impostas globalmente pelo ex-presidente Donald Trump. Segundo a entidade, a suspensão dessas tarifas, que variavam entre 10% e 40% sobre produtos brasileiros, poderia gerar um impacto de US$ 21,6 bilhões nas exportações para os EUA.

Impacto nas exportações brasileiras

“Acompanhamos a decisão de hoje com atenção e cautela. O impacto de uma medida como essa no comércio brasileiro é significativo, tendo em vista a relevante parceria comercial entre Brasil e Estados Unidos”, disse Ricardo Alban, presidente da CNI.

A decisão da Suprema Corte derrubou especificamente as tarifas impostas com base na International Emergency Economic Powers Act (Ieepa). No entanto, outras tarifas, como as da seção 232 da Trade Expansion Act (relacionadas à segurança nacional, como aço e alumínio) e as aplicadas a “práticas desleais”, permanecem em vigor.

Setores celebram decisão, mas alertam para novas tarifas

A indústria do café, um dos setores mais afetados, celebrou a decisão. Pavel Cardoso, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), destacou que a medida reforça a segurança jurídica e o respeito às competências legais nas relações comerciais internacionais.

“Para a indústria do café, setor global e altamente integrado, previsibilidade, isonomia e regras claras são fundamentais para garantir estabilidade, investimentos e proteção ao consumidor”, afirmou Cardoso.

Associações dos setores de plástico e pescado também expressaram otimismo. A Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast) ressaltou que a decisão elimina parte da imprevisibilidade, reduzindo a pressão tarifária sobre exportações brasileiras.

No entanto, a Abiplast alertou que o presidente Donald Trump já anunciou uma nova tarifa global de 10% por 150 dias, com base na Seção 122 da legislação comercial norte-americana, como substituta para algumas das tarifas derrubadas.

A Associação Brasileira das Indústrias de Pescados (Abipesca) vê a decisão como uma oportunidade estratégica para ampliar a presença no mercado norte-americano, projetando um aumento de até 100% nas exportações de pescados e 35% nas exportações totais do setor.

Indústria têxtil segue com cautela

A Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) acompanha a decisão com cautela, assim como os desdobramentos políticos sobre novas cobranças tarifárias globais. Os Estados Unidos são o principal destino das exportações brasileiras de têxteis e confeccionados.

“Cabe destacar que as tarifas aplicadas pelos EUA aos produtos têxteis e de vestuário já estão entre as mais elevadas da estrutura tarifária americana, e medidas adicionais podem comprometer a competitividade e a viabilidade das exportações”, alertou a Abit.

Com informações da Agência Brasil