quinta-feira, 23 de julho de 2026

Charretinhas do Forró: a resistência cultural que colore a Vila Planalto em Brasília

Em meio às celebrações de carnaval em Brasília, a Praça Zé Ramalho, na Vila Planalto, se tornou palco de uma folia de resistência cultural. O Bloco Charrete, com as bênçãos do bonecão do carnavalesco Joãozinho da Vila, homenageia ritmos do Norte e Nordeste, atraindo foliões que buscam uma festa mais tradicional e com significado.

Um legado de alegria e resistência

Fundado em 2019 por Thiago Faniz, o Bloco Charrete surgiu da união dos grupos Fanfarra Tropicaos e Charretinha do Forró. A missão é manter vivo o legado do bloco Vilões da Vila, criado por Joãozinho, que por dois anos deixou a Vila Planalto sem folia após seu falecimento em 2017. A Vila Planalto, bairro de grande importância histórica por ter abrigado os operários da construção de Brasília, encontra no Charrete um elo com seu passado carnavalesco.

“A Vila Planalto é um dos territórios de maior patrimônio histórico do Distrito Federal. Procuramos manter acesa a chama do carnaval nessa região, sempre com as bênçãos de Joãozinho da Vila”, explica Thiago Faniz, ressaltando que obteve autorização dos remanescentes do Vilões da Vila antes de fundar o novo bloco.

Ritmos que celebram a diversidade brasileira

Longe dos pandeiros e do axé, o Bloco Charrete se destaca pela diversidade musical. A banda Charretinha do Forró embala os foliões com ritmos nordestinos, enquanto a Fanfarra Tropicaos mescla músicas populares com marchas carnavalescas tradicionais. A programação ainda inclui DJs e coletivos culturais do DF, explorando estilos que vão do reggae ao tecnobrega, com marchas carnavalescas e boleros antigos marcando presença.

Um carnaval com clima de interior

O Charrete atrai um público que aprecia um carnaval de menor porte, mais intimista e menos massificado. Monique Menezes, 48 anos, descreve a atmosfera como um resgate do carnaval de cidade do interior. “A Vila Planalto remete a um povoado do interior, e o carnaval aqui acaba refletindo esse clima de folia de rua de cidade pequena”, conta.

Álvaro Peres, 36 anos, participou pela primeira vez do bloco e aprovou a experiência. “Pelo que vi até agora, gostei do bloco. É uma diversão que valoriza a cultura brasileira, com ritmo mais próximo do Tropicalismo”, declara.

Alegria como ato político

A proximidade com a Praça dos Três Poderes confere ao carnaval da Vila Planalto um caráter político. Durante o desfile, foliões expressaram mensagens de apoio à Palestina, manifestaram repúdio ao assédio contra mulheres e denunciaram feminicídios através de estandartes. Adesivos contra a anistia aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro e em defesa da soberania nacional também foram distribuídos.

Para os frequentadores, o carnaval é uma oportunidade de unir diversão e conscientização. “Por definição, o carnaval é político. É um ato de resistência, só que por meio da alegria. Precisamos sorrir, cantar, dançar”, defende Monique. Álvaro complementa: “O sistema atual é construído para a gente se frustrar. O carnaval é uma brecha para se divertir e voltar à rotina de forma mais descansada”.

Com informações da Agência Brasil