quinta-feira, 4 de junho de 2026

Bembé do Mercado ocupará o Sambódromo com a Beija-Flor em enredo que celebra a cultura afro-brasileira

O Candomblé de rua, conhecido como Bembé do Mercado, será o enredo da escola de samba Beija-Flor no Carnaval de 2026. A celebração, realizada em 13 de maio desde 1889 para marcar o primeiro ano da Abolição da Escravatura, ganhou destaque na Sapucaí com o objetivo de denunciar a incompletude da Lei Áurea e reivindicar a liberdade de manifestação cultural e religiosa. O enredo promete levar para a avenida a culinária, a dança, a música e a resistência da cultura afro-brasileira, com foco especial na religiosidade do candomblé.

Ancestralidade e representatividade no desfile

O Bembé do Mercado tem uma rica história, iniciada com o babalorixá João de Obá e passando por figuras como Pai Tidu e Mãe Lídia, até chegar a Pai Pote, atual presidente da associação que reúne 65 terreiros e conta com a participação de outros 100 na manifestação de rua. Pai Pote expressou grande alegria com a escolha do tema pela Beija-Flor, ressaltando a semelhança entre a comunidade da escola e a sua, na luta pelos direitos da população negra, pela cultura e contra a intolerância religiosa.

“A importância disso é trazer esses Brasis que o Brasil não conhece. É bacana quando a gente consegue emplacar um enredo autoral e vai nas entranhas desse país que tem tanta história e personagens que por anos ficaram escondidos”, destacou João Vitor, carnavalesco da Beija-Flor, sobre a relevância dos enredos autorais.

O desfile abordará não apenas o Bembé da Bahia, mas todos os candomblés do Brasil e do mundo, valorizando o povo negro, os terreiros e os praticantes da religião, que Pai Pote faz questão de defender o termo “macumbeiro” como sinônimo de orgulho. A cultura que envolve o Bembé, incluindo a culinária afro, manifestações populares, o trabalho das marisqueiras e farinheiras, capoeiristas, o Negro Fugido e feirantes, também estará presente.

Autorização espiritual e a comunidade engajada

A escolha do enredo para a Beija-Flor em 2026 envolveu uma autorização espiritual, realizada através de um jogo de búzios com Pai Pote, nos pés de Ogum. João Vitor descreveu o momento como um alívio e um sinal de que o trabalho estava apenas começando, ressaltando a necessidade de carnavalizar cada elemento com respeito e sem ofensa, pois se trata de algo sagrado.

A comunidade da escola também demonstrou grande aceitação pelo enredo. Para o carnavalesco, a força dos componentes é fundamental, pois são eles que carregam a história e cantam o samba, dando vida à sinopse. A Beija-Flor de Nilópolis é vista como um símbolo importante para a cidade.

Novos intérpretes e samba de excelência

Após 50 anos com Neguinho da Beija-Flor, em 2026 a escola apresentará seus novos intérpretes: Nino Milênio e Jéssica Martin. Nino Milênio, com mais de 20 anos de carreira, encara a função como uma grande honra e responsabilidade, preparando-se para a sucessão de um ícone. Ele se sente grato pela oportunidade e pela identificação com a escola.

Jéssica Martin, que também estreia na função, compartilha a felicidade de dividir o posto com Nino e descreve o processo como mágico e árduo. Ambas as novas vozes celebram a qualidade do samba enredo, composto por 12 autores com muito carinho, e prometem levar o tema para a avenida com respeito e admiração.

Com informações da Agência Brasil