
Foco em mercados estratégicos
O setor audiovisual brasileiro está em um momento de expansão e busca fortalecer laços internacionais. Uma missão oficial do governo brasileiro, liderada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, levou uma delegação inédita da cadeia produtiva do audiovisual e da economia criativa à Índia e à Coreia do Sul. A iniciativa, articulada pela Federação da Indústria e Comércio do Audiovisual Brasileiro (FICA), visa aproximar mercados, diversificar fontes de financiamento e aumentar a exportação de conteúdo nacional.
Segundo Walkíria Barbosa, presidente da FICA, a missão ocorre em um momento de maturidade institucional do setor. “O objetivo desta missão é aproximar mercados, diversificar formas de financiamento e ampliar a exportação do conteúdo nacional para Índia e Coreia do Sul, dois dos mais importantes mercados do audiovisual e da economia criativa no mundo”, afirmou.
Setor audiovisual como vetor de desenvolvimento
A criação da FICA em outubro de 2026 reflete a nova percepção do audiovisual como um motor de desenvolvimento econômico, tecnológico e diplomático. “Estamos falando de política industrial, geração de emprego qualificado e inserção internacional estruturada”, destacou Walkíria Barbosa.
Dados recentes comprovam a relevância do setor. Um estudo da Oxford Economics em parceria com a Motion Picture Association (MPA) apontou que a indústria audiovisual brasileira gerou R$ 70,2 bilhões ao Produto Interno Bruto (PIB) em 2024, sustentou 608.970 empregos e arrecadou cerca de R$ 9,9 bilhões em tributos.
Intercâmbio cultural e tecnológico
A missão foca na apresentação do mercado audiovisual brasileiro, na geração de oportunidades de coprodução e distribuição internacional, e na troca de tecnologia e conhecimento. A estratégia se inspira em modelos como a “onda coreana” (Hallyu), que consolidou a Coreia do Sul como potência cultural global através da articulação entre política pública, indústria e exportação.
“Inspirar-se nesses modelos não significa replicar fórmulas, mas compreender como a coordenação entre Estado e mercado, aliada a investimento em inovação e formação de talentos, pode impulsionar nossa vocação cultural e industrial”, avaliou Walkíria Barbosa.
Financiamento e investimento
A presidente da FICA também destacou a importância dos Fundos de Investimento em Participações (Funcines) para atrair capital privado com incentivos fiscais e segurança jurídica. “Esses mecanismos ampliam a capacidade de financiamento estruturado, reduzem riscos e atraem investimentos estrangeiros, inclusive de empresas asiáticas interessadas em coproduções e parcerias estratégicas”, completou.
A missão ocorre em paralelo à participação brasileira na Cúpula de Inteligência Artificial, na Índia, um evento que reúne 20 chefes de Estado e é sediado pela primeira vez por um país em desenvolvimento.
Com informações da Agência Brasil







