quinta-feira, 4 de junho de 2026

Anistia 79 brilha e leva prêmios principal e popular na Mostra de Cinema de Tiradentes

O documentário “Anistia 79”, dirigido por Anita Leandro, foi o grande vencedor da 29ª edição do Festival de Cinema de Tiradentes, em Minas Gerais, que encerrou neste sábado (31). O filme arrebatou tanto o Prêmio Carlos Reichenbach de Melhor Filme da Mostra Olhos Livres, concedido pelo Júri Oficial, quanto o prêmio de Melhor Longa pelo Júri Popular, consolidando sua força e relevância.

A Mostra de Tiradentes reafirma seu papel como um dos principais palcos para o lançamento, a reflexão crítica e a articulação do cinema brasileiro contemporâneo. Anita Leandro, visivelmente emocionada, destacou a recepção intensa do público em Tiradentes como a mais marcante de sua carreira.

“As pessoas em silêncio assistindo a esse filme, um filme difícil, sobre um assunto difícil, parecia uma liturgia”, comentou a diretora, ressaltando o potencial do reconhecimento para ampliar a circulação do documentário e fortalecer o diálogo com novos públicos.

Construído a partir de uma gravação inédita de uma reunião realizada em Roma, em 1979, em defesa da anistia aos presos políticos da ditadura, “Anistia 79” transforma um registro de arquivo em uma experiência cinematográfica viva. O júri oficial elogiou a apropriação criativa do material amador e a potência política do filme em iluminar personagens muitas vezes esquecidos na narrativa histórica da luta contra a ditadura.

Destaques na Mostra Foco e outras exibições

Na Mostra Foco, dedicada aos curtas-metragens, “Entrevista com Fantasmas” (RS/SP), de LK, levou o Prêmio de Melhor Curta pelo Júri Oficial, elogiado pela forma como articula cinema, memória e cidade. “Grão”, de Gianluca Cozza e Leonardo da Rosa, foi premiado pelo Canal Brasil de Curtas, enquanto “Recife Tem um Coração”, de Rodrigo Sena, venceu o Júri Popular.

Fora da competição, a exibição de “O Agente Secreto”, que concorre a quatro Oscars, atraiu multidões ao Cine Tenda. O filme de encerramento da mostra foi o documentário “Copacabana, 4 de maio” (RJ), de Allan Ribeiro, que revisitou os bastidores do show de Madonna no Rio de Janeiro.

A programação também contou com a projeção ao ar livre de “Ladeiras da Memória – Paisagens do Clube da Esquina”, documentário que explora o movimento musical mineiro. A edição deste ano homenageou a atriz, roteirista e diretora Karine Teles, além de figuras como Julio Bressane, Miguel Falabella, Sara Silveira e Elisa Lucinda.

Impacto e reflexões da 29ª edição

Segundo os organizadores, cerca de 38 mil pessoas participaram das atividades, injetando aproximadamente R$ 10 milhões na economia local. Ao longo de nove dias, a mostra exibiu 137 filmes brasileiros e promoveu 17 atividades de formação e 59 debates.

Com o tema “Soberania Imaginativa”, a edição propôs uma reflexão sobre a invenção como gesto central do cinema brasileiro contemporâneo, afirmando o direito de criar imagens e narrativas próprias. O 4º Fórum de Tiradentes resultou na Carta de Tiradentes 2026, documento que aponta a regulação de plataformas de streaming, a formação de público e a convergência de políticas públicas como urgências para o audiovisual brasileiro.

A 29ª Mostra de Cinema de Tiradentes encerra consolidando-se como um espaço de pensamento crítico e invenção coletiva do cinema nacional.

Com informações da Agência Brasil