sexta-feira, 4 de setembro de 2026

Liderança comunitária é agredida e baleada durante vigilância ambiental no interior do Amazonas

Uma liderança comunitária de 67 anos foi alvo de agressões, ameaças de morte e uma tentativa de homicídio enquanto atuava na proteção de uma área de desova de quelônios, na região da foz do rio Tapauá, no interior do Amazonas. O crime aconteceu na noite de segunda-feira (31), e os suspeitos foram presos na quarta-feira (2).

De acordo com os relatos, quatro pessoas chegaram ao local onde a vítima realizava vigilância ambiental, a agrediram com golpes na cabeça e fizeram dois disparos. Um dos tiros atingiu a orelha da liderança, que precisou de atendimento médico e está em estado estável.

Os suspeitos também teriam ameaçado destruir as bases utilizadas pelas comunidades para realizar a vigilância ao longo do rio Tapauá.

A ação ocorreu poucos dias depois de uma operação de fiscalização ambiental realizada pelo Ibama e pela Funai na região. Diante da proximidade dos episódios, moradores levantam a suspeita de que o ataque tenha sido uma retaliação às ações de conservação realizadas por indígenas e ribeirinhos.

As comunidades da região dependem diretamente da pesca e mantêm iniciativas de manejo sustentável do pirarucu, além de ações de proteção territorial. O trabalho comunitário contribuiu para a recuperação dos estoques pesqueiros, mas segue ameaçado pela falta de estrutura, fiscalização e presença permanente do Estado.

Após o ataque, o Coletivo do Pirarucu, que representa aproximadamente 2,5 mil famílias indígenas e ribeirinhas envolvidas no manejo da espécie no Amazonas, enviou nesta sexta-feira (4) uma carta a autoridades estaduais e federais.

A entidade cobra investigação e responsabilização dos envolvidos, proteção à liderança atacada e segurança para a continuidade das atividades de manejo e preservação programadas para 2026.

Entre as medidas solicitadas estão o reforço da presença da SEMA/AM e do IPAAM, apoio de Ibama, ICMBio e Funai nas fiscalizações, reforço das forças de segurança, melhoria das estruturas de vigilância e fiscalização permanente da frota pesqueira comercial.

O coletivo afirma que a segurança das lideranças já havia sido apresentada às autoridades em 2022 e alerta para a necessidade de ações permanentes para proteger as comunidades que atuam na conservação ambiental.