quinta-feira, 4 de junho de 2026

Haddad: Conflito no Oriente Médio não deve afetar redução de juros no Brasil

Ministro da Fazenda descarta impacto no ciclo de cortes da Selic

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, declarou nesta terça-feira (3) que a escalada do conflito no Oriente Médio não deve interferir na prevista redução da taxa básica de juros, a Selic, no Brasil. Atualmente em 15% ao ano, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) sinalizou o início de um ciclo de cortes para a reunião de 17 e 18 de março.

Haddad minimizou a preocupação com o conflito, afirmando em entrevista à Rádio Nacional que é “muito cedo para falar de uma reversão do que está mais ou menos contratado”. Ele ressaltou que a inflação e o dólar têm recuado, mas que os juros permanecerão em níveis restritivos.

Brasil tem autonomia para lidar com conflitos, segundo Haddad

Apesar de reconhecer que conflitos armados afetam variáveis econômicas e expectativas futuras, o ministro Haddad destacou a autonomia do Brasil para suportar as consequências. Ele citou a produção nacional de petróleo, especialmente do pré-sal, as reservas cambiais e a ausência de dívida externa como fatores de resiliência.

“O Brasil não depende de petróleo, o Brasil é um dos maiores produtores de petróleo do mundo”, afirmou, lembrando os investimentos na Petrobras durante o segundo governo Lula. A declaração surge após o Irã anunciar o fechamento do Estreito de Ormuz, rota crucial para o transporte mundial de petróleo.

China como fator estratégico no conflito

Especialistas apontam que os ataques recentes no Oriente Médio podem estar ligados à contenção da expansão econômica da China, vista como ameaça pelos Estados Unidos. Haddad ecoou essa visão, afirmando que a China “assusta demais os Estados Unidos” e que o conflito tem um “movimento político estratégico”.

O ministro explicou que a dependência chinesa de importação de petróleo e o seu crescente poder econômico e militar criam um desafio para o Ocidente. Ele ponderou se a abordagem bélica é a mais adequada, sugerindo que a cooperação e integração econômica seriam alternativas mais construtivas.

A China, que mantém forte parceria com o Irã e é sua principal compradora de petróleo, declarou “extrema preocupação” com os ataques e exigiu a interrupção das ações militares, defendendo o respeito à soberania iraniana e a retomada do diálogo.

Com informações da Agência Brasil