quinta-feira, 23 de julho de 2026

Contas externas do Brasil registram déficit menor em janeiro de 2026

As contas externas do Brasil apresentaram um saldo negativo de US$ 8,360 bilhões em janeiro de 2026, uma redução em comparação com o mesmo período do ano anterior, quando o déficit nas transações correntes foi de US$ 9,809 bilhões. A informação foi divulgada nesta terça-feira (24) pelo Banco Central (BC).

Superávit comercial impulsiona resultado

A melhora interanual é creditada principalmente ao aumento de US$ 2,1 bilhões no superávit comercial. Fernando Rocha, chefe do Departamento de Estatísticas do BC, explicou que essa alta se deve à redução generalizada das importações em todos os setores, refletindo a desaceleração da atividade econômica no país.

O déficit na venda de serviços também diminuiu em US$ 581 milhões. No entanto, o déficit em renda primária, que inclui pagamentos de juros, lucros e dividendos, aumentou em US$ 1,3 bilhão.

Déficit em 12 meses em trajetória de queda

Nos 12 meses encerrados em janeiro de 2026, o déficit em transações correntes totalizou US$ 67,551 bilhões, o que representa 2,92% do Produto Interno Bruto (PIB). Este valor é inferior aos US$ 72,421 bilhões (3,35% do PIB) registrados no período encerrado em janeiro de 2025.

Rocha destacou que o cenário das transações correntes é robusto, com tendência de redução do déficit em 12 meses desde setembro de 2025. Ele ressaltou que o déficit externo está sendo financiado por capitais de longo prazo, com destaque para os Investimentos Diretos no País (IDP).

Investimentos Diretos no País em alta

O IDP somou US$ 8,168 bilhões em janeiro de 2026, superando os US$ 6,708 bilhões do mesmo mês em 2025. O IDP é considerado a melhor forma de cobrir o déficit externo, pois os recursos são aplicados no setor produtivo e tendem a ser de longo prazo.

Nos 12 meses até janeiro de 2026, os investimentos diretos acumularam US$ 79,137 bilhões (3,42% do PIB), um aumento em relação aos períodos anteriores. Rocha afirmou que esses resultados demonstram a solidez da economia brasileira, totalmente financiada pelo IDP.

Investimentos em carteira e reservas internacionais

Os investimentos em carteira no mercado doméstico registraram entrada líquida de US$ 8,867 bilhões em janeiro, o maior valor desde julho de 2018. Em 12 meses até janeiro, esses investimentos somaram US$ 24,9 bilhões.

O estoque de reservas internacionais atingiu US$ 364,367 bilhões em janeiro, um acréscimo de US$ 6,134 bilhões em relação ao mês anterior.

Detalhes das transações correntes

As exportações de bens em janeiro de 2026 totalizaram US$ 25,282 bilhões, com uma leve redução de 1,2% em relação a janeiro de 2025. As importações caíram 10%, chegando a US$ 21,766 bilhões.

A balança comercial apresentou superávit de US$ 3,516 bilhões em janeiro de 2026, contra US$ 1,396 bilhão no mesmo mês de 2025.

O déficit na conta de serviços foi de US$ 3,972 bilhões, uma redução de 12,8% em relação a janeiro de 2025. No entanto, o déficit na conta de viagens internacionais aumentou 48,4%, impulsionado pela queda nas receitas de estrangeiros e pelo aumento das despesas de brasileiros no exterior.

O déficit em renda primária chegou a US$ 8,312 bilhões em janeiro de 2026, um aumento de 18,7% em relação ao ano anterior. A conta de renda secundária registrou um superávit de US$ 408 milhões.

Com informações da Agência Brasil