domingo, 19 de julho de 2026

Estudo aponta aumento da nocividade de agrotóxicos no mundo, com Brasil em destaque

Toxicidade global de agrotóxicos em ascensão

Um estudo recente publicado na revista Science indica que a toxicidade dos pesticidas aumentou em escala global entre 2013 e 2019. A pesquisa, conduzida por cientistas da universidade alemã de Kaiserslautern-Landau, avaliou 625 pesticidas em 201 países, utilizando o indicador de Toxicidade Total Aplicada (TAT). Os resultados contrariam a meta de redução de riscos estabelecida pela ONU na COP15.

Impactos na biodiversidade

O aumento da toxicidade afeta negativamente seis de oito grupos de espécies. Artrópodes terrestres apresentaram um aumento de 6,4% ao ano na toxicidade, seguidos por organismos do solo (4,6%), peixes (4,4%), invertebrados aquáticos (2,9%), polinizadores (2,3%) e plantas terrestres (1,9%). Apenas plantas aquáticas (−1,7%) e vertebrados terrestres (−0,5%), grupo que inclui os humanos, registraram diminuição.

Brasil entre os líderes em toxicidade

O Brasil figura entre os países com maior intensidade de toxicidade por área agrícola, ao lado de China, Argentina, Estados Unidos e Ucrânia. Juntos, Brasil, China, Estados Unidos e Índia respondem por uma parcela significativa da toxicidade total aplicada globalmente. O agronegócio brasileiro, especialmente culturas como soja, algodão e milho, contribui para esse cenário.

Concentração do problema e tipos de pesticidas

O estudo aponta que a toxicidade é concentrada em poucos produtos: em média, apenas 20 pesticidas por país são responsáveis por mais de 90% da toxicidade total. Inseticidas como piretroides e organofosforados, e neonicotinoides, são apontados como principais causadores de impactos em invertebrados aquáticos, peixes, artrópodes terrestres e polinizadores. Herbicidas de alto volume, como acetoclor, paraquat e glifosato, também são mencionados.

Meta da ONU distante

A análise de 65 países sugere que, sem mudanças significativas, apenas o Chile atingirá a meta da ONU de redução de 50% na toxicidade dos pesticidas até 2030. Enquanto China, Japão e Venezuela mostram tendências de queda, o Brasil e a maioria dos outros países precisam reverter padrões de uso de agrotóxicos consolidados há décadas.

Propostas para conter a escalada de riscos

Os pesquisadores recomendam a substituição de pesticidas altamente tóxicos, a expansão da agricultura orgânica e a adoção de alternativas não químicas, como controle biológico e diversificação agrícola, para reduzir os impactos ambientais e à saúde humana.

Com informações da Agência Brasil