quinta-feira, 4 de junho de 2026

Calango Careta arrasta multidão em Brasília com arte, música e celebração do Cerrado

Um vibrante calango gigante, símbolo do bloco de Carnaval Calango Careta, tomou conta da Asa Norte em Brasília nesta terça-feira (17), marcando mais um ano de celebração com arte, cultura e a preservação do bioma Cerrado.

Diferente dos grandes eventos concentrados, o Calango Careta promove um “carnaval de vizinhança”, serpenteando por ruas residenciais com sua alegoria articulada em bambus, inspirada nos tradicionais bonecos de Olinda. A proposta é de coletividade e animação em escala mais íntima, agradando moradores como a analista de sistemas Ana Bastos, que curte a festa com a filha.

Mensagens de Preservação e Arte

A alegoria do calango, em verde, amarelo e vermelho, é acompanhada por um boneco de saruê, representando um animal frequentemente mal compreendido. O educador social Gabriel Ballarini, voluntário que dá vida ao saruê, expressa orgulho em participar da festa. A dupla pai e filho, Pedro Tarcísio e Rui, fantasiado de capivara, demonstra o encanto das novas gerações com a percussão e a fauna local.

A estética do bloco é um espetáculo à parte, misturando cultura popular com influências psicodélicas. Artistas com grandes asas, pernas de pau, palhaços e acrobatas mascarados conduzem o cortejo, criando um ambiente lúdico e festivo. Vanessa Cândida Rezende, apoiadora do bloco, personifica a alegria ao “regar um jardim de glitter” nos foliões.

Inspirações Cinematográficas e Culturais

Neste ano, o bloco também celebrou produções cinematográficas brasileiras. O casal formado pela jornalista Ana Chalub e o músico Luiz Bragança se inspirou no filme “O Agente Secreto”. Ana se fantasiou como Dona Sebastiana, personagem do filme, enquanto Luiz homenageou os icônicos orelhões com uma criação irreverente.

“O carnaval é o espaço de tempo para a gente tentar outras possibilidades e fazer algo que não está no nosso dia a dia. É o momento de celebrar a nossa cultura, nossa música”, celebrou Bragança.

Sonoridade que Contagia

A Orquestra Camaleônica é a responsável pela trilha sonora do Calango Careta, ditando o ritmo com sopros, metais e percussão. O repertório abrange ciranda, frevo, maracatu e sucessos da MPB, com canções como “Lucro” e “Frevo Mulher” ecoando entre os foliões.

A interação próxima entre músicos e público é uma marca do bloco, que dispensa cordas e abadás. Estudantes como Mariana Junqueira Marini e Isis Frank Rocha, fantasiadas de personagens de “Backyardigans”, demonstram a diversidade etária e a alegria contagiante da festa.

Vibração para Todas as Idades

O Calango Careta é um reflexo da diversidade brasiliense, reunindo crianças, jovens e idosos. A fisioterapeuta Gabriela Barcellos, grávida de 8 meses, planeja criar seu filho imerso na cultura carnavalesca, enquanto a aposentada Mara Carvalho, aos 75 anos, perpetua a tradição familiar ao lado de sua família.

“Aqui em Brasília, a cultura do carnaval tem aumentado bastante”, observa Barcellos. Mara Carvalho, que participa há anos, destaca a importância de manter viva essa tradição.

Tradição e Legado

Desde 2015, o Calango Careta se consolidou como um ícone de Brasília. Sua saída às ruas é anunciada poucas horas antes, gerando expectativa. O bloco inspirou até fábulas escolares e, nesta sexta-feira (20), o documentário “Calango Careta: 10 Anos de Eterno Carnaval” será exibido no Cine Brasília, contando a história desse movimento que virou tradição.

Com informações da Agência Brasil