quinta-feira, 4 de junho de 2026

Teóloga: Carnaval oferece diversas formas de fortalecer vínculos sociais e individuais

O Carnaval, longe de ser uma celebração única, abriga uma multiplicidade de vivências que podem contribuir significativamente para o fortalecimento de vínculos sociais e o autoconhecimento. Segundo Ana Beatriz Dias, psicóloga, teóloga e professora da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), a diversidade de manifestações carnavalescas no Brasil reflete a riqueza cultural do país e oferece caminhos para diferentes formas de expressão e conexão.

A pluralidade das celebrações carnavalescas

“Não existe só um carnaval. O nome deveria ser carnavais”, afirma Ana Beatriz Dias em entrevista à Agência Brasil. Ela ressalta que a festa pode ser vivenciada de diversas maneiras, desde o Sambódromo e shows de rock até as tradições regionais como os bonecos de Olinda, as manifestações do Pará ou a carreada no Rio Grande do Sul. Essa diversidade permite que cada indivíduo encontre uma forma de participar e de sentir os significados que a festa pode ter.

Origens históricas e a dança como expressão

A teóloga explica que o ato de desfilar, presente no Carnaval, remonta a rituais antigos onde representava vitórias e alegrias populares. Ela traça um paralelo entre as procissões religiosas católicas, que carregam imagens e símbolos de fé, e os desfiles de blocos, maracatus e cordões carnavalescos. Inicialmente, esses grupos se inspiraram no modelo das procissões, defendendo estandartes de paróquias, bairros ou confrarias. Com o tempo, ocorreu uma miscigenação cultural, onde o sagrado deu lugar ao corpo que dança como forma de expressão e liberdade.

Carnaval, espiritualidade e a busca por significado

Para além da festa profana, o Carnaval pode ser um momento de reflexão sobre o ano que se inicia e a espiritualidade pessoal. Ana Beatriz aponta que, para os católicos, o período marca a última oportunidade de comer carne antes da Quaresma, um tempo de purificação, jejum e introspecção, que antecede a celebração da Paixão de Cristo. Essa dinâmica de extravasar e extrapolar antes de um período de recolhimento reforça o ciclo de renovação.

Fortalecimento de vínculos e bem-estar social

A especialista destaca que a força do Carnaval reside na sua capacidade de reunir pessoas em torno de tradições compartilhadas ou de renúncias coletivas. Essa intensificação emocional, segundo ela, fortalece o vínculo social, renova o sentimento de pertencimento a um grupo ou comunidade e pode atenuar a solidão. A maneira como as pessoas se relacionam com seus corpos durante o Carnaval, seja rompendo com normas rígidas ou buscando o equilíbrio, também reflete a saúde da sociedade.

O Carnaval, portanto, funciona como um ritual de descarga emocional e reorganização simbólica, permitindo que a sociedade, por um tempo, se afaste da realidade para processar tensões e se preparar para o ano que segue. É um jogo identitário e uma expressão cultural que revela muito sobre o bem-estar físico e mental de uma sociedade, abarcando desejos e fantasias humanas.

Com informações da Agência Brasil