quinta-feira, 4 de junho de 2026

Bloco Aparelhinho celebra 15 anos de carnaval de rua em Brasília

Neste sábado (14), o Bloco Aparelhinho comemora 15 anos de existência em Brasília. O que começou como um som eletrônico em um carrinho alegórico, inspirado nas aparelhagens do Pará, evoluiu para um movimento cultural consolidado na capital federal, promovendo a apropriação do carnaval de rua e a ressignificação do espaço público.

“É puro amor à cidade, às ruas da cidade, às avenidas ocupadas e coloridas; é vontade mesmo de ver o carnaval de rua acontecendo aqui”, afirmou o DJ Rafael Ops, um dos fundadores do bloco, em entrevista à Rádio Nacional FM de Brasília. Ele compara a iniciativa a uma fanfarra que “quer sair empurrando nosso carrinho pela rua também”.

O primeiro carrinho foi construído na oficina de marcenaria do Instituto de Artes da Universidade de Brasília (UnB). Inicialmente um projeto simples com quatro caixas de som, o carrinho era pensado para ser um objeto empurrável, capaz de ocupar diversos espaços urbanos. A receptividade do público foi imediata, impulsionando o crescimento do bloco.

Ao longo dos anos, a estrutura do carrinho evoluiu, tornando-se mais tecnológica e visualmente impactante, com as cores características do bloco: azul e laranja. Já foi feito de madeira, ferro, adaptado para ser online durante a pandemia, transformado em charrete, trio e até carreta.

Atualmente, o Aparelhinho conta com o apoio financeiro da Secretaria de Cultura do Distrito Federal e envolve cerca de 100 pessoas na organização. A publicitária Bruna Daibert, frequentadora desde a primeira edição em 2012, destaca a importância do bloco para a formação de novos públicos carnavalescos e para a ocupação democrática da cidade.

“Acho muito importante a gente formar esse novo público de carnavalescos, pra gente se fixar cada vez mais e o carnaval ocupar, inclusive, o meio das quadras [residenciais]”, defende Bruna, que ressalta a necessidade de permitir que a festa popular aconteça em diversos espaços da cidade.

Música eletrônica e diversidade sonora

O repertório musical do Aparelhinho, elaborado pelos DJs fundadores Pezão, Rafael Ops e Rodrigo Barata, juntamente com DJs convidados, abrange uma vasta gama de estilos. A base é a música eletrônica, com remixes de clássicos do carnaval brasileiro, frevos, axés, sambas-enredos, brega funk, piseiro, rock and roll e outras vertentes da música eletrônica mundial.

O cozinheiro Iago Roberto, que participa pela primeira vez, expressou sua satisfação com a energia do bloco e a diversidade musical. “Não escuto [música eletrônica] no dia a dia, mas estou curtindo. Só a energia da galera nesse lugar já está maravilhosa”, comentou.

Desafios de acessibilidade

O bloco se propõe a ser um espaço democrático e inclusivo, acolhendo foliões de todas as idades e com diferentes necessidades de locomoção. No entanto, a dentista Fabiana Montandon, que acompanha o Aparelhinho há 10 anos, apontou desafios de infraestrutura nas ruas do Setor Bancário Sul, como buracos na pista e falta de rampas acessíveis.

“Eles anunciaram que era espaço acessível e eu vim por isso. Mas a gente só se dá conta quando está nessa situação”, relatou Fabiana, que estava no bloco mesmo com a perna imobilizada.

Com informações da Agência Brasil