quinta-feira, 4 de junho de 2026

Bloco do Amor celebra carnaval respeitoso e livre de preconceitos no DF

O Bloco do Amor, com 11 anos de história, consolidou-se como um dos eventos mais emblemáticos do carnaval de Brasília, promovendo um espaço de celebração respeitoso e livre de preconceitos. Neste sábado de carnaval, o bloco reuniu quase 70 mil pessoas nos arredores da Biblioteca e do Museu Nacional, reafirmando seu compromisso com a diversidade e o afeto coletivo.

Sonhar como ato de existência: resistência e transformação

Fundado em 2015 com o propósito de ocupar o centro de Brasília com manifestos político-poéticos, o Bloco do Amor trouxe para a edição de 2026 o lema “Sonhar como Ato de Existência”. A proposta enxerga o sonho e a alegria como ferramentas potentes de resistência e transformação social. Com um público majoritariamente da comunidade LGBTQIAPN+, o bloco se apresenta como um território seguro, onde a folia acontece de forma respeitosa.

A diversidade de ritmos é um dos pontos altos do bloco, que transita do axé retrô ao eletrônico, passando pela música pop, MPB e forró. “A diversidade está presente, inclusive, na variedade de ritmos que empurram os foliões”, explicou à Agência Brasil a coordenadora geral do Bloco do Amor, Letícia Helena.

Amor na cidade: origem e evolução

Letícia Helena, produtora cultural e cantora, conta que o bloco nasceu da “necessidade de discutirmos o amor nesta cidade; o que queremos e o que somos, de forma a trazer mais representatividade para os espaços”. A primeira edição ocorreu na Via S2 do Plano Piloto, e o crescimento do público levou à mudança para a área externa do Museu Nacional.

Ao longo de 11 anos, o bloco tem utilizado a comunicação para disseminar mensagens sobre aceitação e bom convívio na diversidade. “Percebemos, ao longo desses anos, muitas coisas melhorando. Isso está nas estatísticas. Para você ter uma ideia, o número de casos de assédio eram muito grandes no começo. Mas em 2024 conseguimos fazer uma festa que, segundo a Secretaria de Segurança Pública, zerou a quantidade de registros de violência e assédio contra mulheres”, comemora Helena.

Foliões celebram segurança e aceitação

O ambiente seguro e inclusivo do Bloco do Amor é um dos principais atrativos para os participantes. “É um ambiente com o qual nos identificamos, de muita arte e com muitos artistas. Um lugar seguro para a comunidade LGBT, organizado por amigos que também estão em nossos corações”, disse Fernando Franq, 34, acompanhado de sua parceira Ana Flávia Garcia, 53.

Ana Flávia acrescenta que o bloco é “seguro e sem preconceitos. É um ambiente reverberado por pessoas apropriadas do próprio corpo. Aqui, todos são aceitos”. Ela reitera que, em sua essência, o carnaval é revolucionário quando agrega respeito e aceitação ao pensamento coletivo.

A jovem Clarisse Pontes, 22, que participa pela primeira vez de um bloco de carnaval, busca “muita paz e curtição” no Bloco do Amor, associado à aceitação e respeito à diversidade. Alasca Ricarte, 23, estudante de design, vê o carnaval como uma oportunidade para as pessoas se mostrarem de forma mais verdadeira: “O que mais agrada aqui é isso: ser livre como quero, ser aceito e aceitar a todos como todos são”.

Respeito à liberdade e riqueza das diferenças

Ana Luíza, 25, estudante, escolheu o Bloco do Amor por buscar um carnaval onde homens e mulheres se respeitam. “Ví muito, em outros blocos, mulheres sendo desrespeitadas por homens. A meu ver, carnaval, para ser bom, tem de ser curtido com respeito à liberdade”, disse.

Ricardo Maurício, 41, acompanhado da esposa e da filha de 7 anos, destaca a importância de conversar sobre diversidade com a família. “Sempre trabalhei esse tema da diversidade com a minha família, até porque temos uma família diversa. Respeitamos diferenças e vivemos na diversidade de um mundo que é grande e diverso. Quero que minha filha saiba disso, e que compreenda a riqueza das diferenças”.

Com informações da Agência Brasil