quinta-feira, 4 de junho de 2026

Justiça de MG paralisa atividades da Vale em Ouro Preto após vazamento de rejeitos

A Justiça de Minas Gerais determinou a paralisação imediata de todas as atividades da mineradora Vale no Complexo Minerário de Fábrica, em Ouro Preto. A decisão, assinada na última sexta-feira (6), visa conter os danos ambientais causados por um vazamento de água e rejeitos ocorrido em 25 de janeiro.

A medida atende a um pedido do governo estadual e do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG). As atividades só poderão ser retomadas após comprovação técnica da estabilidade e segurança de todas as estruturas do complexo. Em caso de descumprimento, a Vale está sujeita a multa diária de R$ 100 mil, com limite de R$ 10 milhões.

O vazamento, que ocorreu em uma das cavas da mina de Fábrica, atingiu cursos d’água que alimentam o rio Paraopeba. Conforme o MPMG, o incidente causou assoreamento de córregos e danos à vegetação.

Segundo o Ministério Público, houve extravasamento de 263 mil metros cúbicos de água turva contendo minério e outros materiais do processo de beneficiamento. O órgão aponta falha no sistema de drenagem do reservatório da mina e acusa a Vale de demorar dez horas para comunicar o ocorrido às autoridades, o que teria dificultado a ação da Defesa Civil.

O material vazado chegou a atingir uma área de outra mineradora, a CSN, causando danos materiais. Posteriormente, a lama alcançou o rio Goiabeiras, que atravessa parte da área urbana de Ouro Preto, antes de desaguar no rio Maranhão, na área central de Congonhas. O rio Maranhão é afluente do rio Paraopeba, o mesmo que foi atingido pelo rompimento de uma barragem da Vale em Brumadinho em 2019.

Em paralelo, o Ministério Público Federal (MPF) também entrou com uma ação na Justiça pedindo o bloqueio de mais de R$ 1 bilhão da Vale para garantir a reparação dos danos ambientais e materiais.

Com informações da Agência Brasil