quinta-feira, 4 de junho de 2026

Unidos da Tijuca homenageará Carolina Maria de Jesus em 2026

A Unidos da Tijuca anunciou que seu enredo para o carnaval de 2026 será uma homenagem à escritora Carolina Maria de Jesus. A decisão visa trazer à luz a história de uma figura fundamental da literatura brasileira, cuja trajetória de superação e luta contra o apagamento social e racial inspira gerações.

A força de uma escritora apagada pela história

O carnavalesco Edson Pereira ressaltou a importância de dar visibilidade à obra de Carolina Maria de Jesus, argumentando que sua história é pouco divulgada apesar de sua grandeza. “A gente vive em um momento, não só do país, mas da cultura do nosso país, em que a gente precisa acender a luz daqueles que foram apagados pela nossa história. A Carolina representa muito bem a força da mulher”, afirmou.

Nascida em Sacramento (MG) em 1914, Carolina Maria de Jesus mudou-se para São Paulo em busca de um futuro melhor, mas encontrou um cenário de adversidades e preconceito. Sua vivência na favela do Canindé a levou a registrar em diários as dificuldades, os preconceitos raciais, a violência contra a mulher e a falta de desenvolvimento social para a população negra. Esses escritos deram origem ao seu primeiro livro, “Quarto de Despejo – Diário de uma favelada”, lançado em 1960, que se tornou um sucesso estrondoso, vendendo 10 mil exemplares na semana de lançamento e sendo traduzido para mais de 14 idiomas.

Um carnaval de reconhecimento e empoderamento

A sinopse da escola destaca a influência do avô alforriado e das mulheres da família na formação de Carolina como contadora de histórias. “Ela aprendeu os segredos que só o tempo revela no encanto do falar e do ouvir; e, nas barras das saias de sua mãe, tias e madrinhas, se entrelaçou ao poder das coisas ditas, ao espírito desconhecido das letras e palavras, aquelas às quais ela desejava conhecer”, detalha o texto.

Edson Pereira enfatizou que o enredo não celebra o apagamento, mas sim o empoderamento de Carolina. “A Carolina enquanto mulher, enquanto preta, enquanto resistência”, comentou, lamentando que os problemas sociais enfrentados por ela ainda persistem. A terceira alegoria do desfile será dedicada ao livro “Quarto de Despejo”, construída com materiais alternativos, em alusão ao período em que a escritora era catadora e usava papelão para erguer sua casa.

Inovação e cuidado nos bastidores

A nova dupla de diretores de carnaval da Tijuca, Fernando Costa e Elisa Fernandes, é responsável por materializar o enredo. Elisa Fernandes, que já teve passagens pela Portela e União de Jacarepaguá, destaca a responsabilidade e o prazer de trabalhar no Grupo Especial. Uma novidade trazida por ela para os bastidores da escola é a introdução de uma equipe de psicólogos para oferecer suporte aos profissionais, reconhecendo a intensa pressão do trabalho carnavalesco.

Elisa, que se orgulha de ser uma mulher negra em sua primeira direção de carnaval e de ter defendido o enredo de Carolina Maria de Jesus, vê a escritora como um símbolo de força e versatilidade. “Acredito nessa coisa de multitarefa da mulher. A sociedade exige de nós essa polivalência. Somos seres polivalentes por nós mesmas. Nós somos sementes da Carolina. A gente só está continuando o trabalho dela e tendo a oportunidade de homenagear uma mulher que já deveria ter sido homenageada há muito tempo”.

Com informações da Agência Brasil