quinta-feira, 4 de junho de 2026

Carnaval em Brasília: coletivos usam a folia como ferramenta de autocuidado e resistência

Em meio à efervescência do pré-carnaval em Brasília, coletivos locais encontram na folia um espaço vital para o autocuidado e a expressão de suas causas. O grupo ‘Filhas da Mãe’, por exemplo, que apoia pessoas cuidadoras de familiares com doenças demenciais, adota a temática carnavalesca para promover um respiro e fortalecer laços entre seus integrantes.

Carmen Araújo, 59 anos, professora e cuidadora de seu pai com Alzheimer há 15 anos, exemplifica essa necessidade. “Se a gente não se cuidar, adoecemos também”, afirma, ressaltando a importância de momentos como esses para sua própria saúde mental. O coletivo, fundado em 2019, nasceu da vivência de suas fundadoras com a sobrecarga e a falta de atenção voltada para os cuidadores.

Rede de apoio e saúde mental

Cosette Castro, psicanalista e uma das fundadoras do ‘Filhas da Mãe’, explica que o grupo oferece uma rede de apoio com cerca de 550 pessoas, incluindo serviços virtuais e voluntários. O objetivo é promover a saúde, dar visibilidade à necessidade de diagnóstico precoce de demências e, principalmente, combater a sobrecarga dos cuidadores, que frequentemente sofrem com problemas de saúde física e mental.

“Às vezes, a gente imagina que não tem mais direito ao riso e se sente culpada por se sentir feliz porque os dias são de muita responsabilidade por 24 horas ao dia”, relata Cosette. O coletivo utiliza eventos, como caminhadas e exposições, e até mesmo a atmosfera carnavalesca para disseminar informações e oferecer suporte. A música, em particular, é vista como um elemento terapêutico, capaz de resgatar memórias e trazer alegria.

Combate ao capacitismo e celebração da arte

Paralelamente, o coletivo ‘Me chame pelo nome’ desfila sua alegria e resistência com o intuito de combater o preconceito capacitista. Com uma fanfarra composta por pessoas com deficiência, o grupo busca promover a inclusão e o cuidado através da arte durante o carnaval, que para eles representa o segundo ano de participação ativa nas festividades com essa proposta.

Com informações da Agência Brasil