quinta-feira, 23 de julho de 2026

Bloco Céu na Terra celebra 25 anos de folia com homenagem a Jorge Ben Jor em Santa Teresa

O Bloco Céu na Terra completa 25 anos de história e folia nas ladeiras de Santa Teresa, bairro histórico do Rio de Janeiro. Fundado no final dos anos 1990, em um período de retomada do carnaval de rua, o bloco se consolidou com uma identidade afetiva e reconhecível, homenageando a cada ano grandes nomes da música brasileira.

Homenagem a Jorge Ben Jor e a força da MPB no carnaval

Em 2026, o tributo é ao icônico Jorge Ben Jor, artista cuja obra atravessa gerações com forte apelo popular e brasilidade. A homenagem se manifesta em um bonecão do cantor que integra o cortejo, além de uma arte especial criada pelo DJ Zod. Músicas como “Chove Chuva”, “Taj Mahal” e “País Tropical” já embalam os ensaios, somadas a marchinhas, sambas e cirandas.

Péricles Monteiro, um dos fundadores do bloco, destaca a energia de Jorge Ben Jor como perfeita para o Céu na Terra: “A música dele é cheia de energia e combina totalmente com o Céu na Terra”. Nos anos anteriores, o bloco já celebrou artistas como Milton Nascimento, Rita Lee e Pepeu Gomes, fortalecendo o diálogo entre o carnaval de rua e a rica história da Música Popular Brasileira (MPB).

Tradição e desafios em Santa Teresa

O Céu na Terra desfila cedo, com saída às 7h, e também estará nas ruas no Sábado de Carnaval, no Largo dos Guimarães. A proposta do bloco sempre foi levar alegria e criar um contraponto à tensão do mundo. “Nossa missão sempre foi levar alegria, fazer um contraponto a esse peso todo do mundo: guerras, crises, tensões. O carnaval é um espaço de felicidade genuína, de encontro, de cultura viva”, afirma Péricles.

No entanto, a expansão do carnaval de rua trouxe desafios para bairros residenciais como Santa Teresa. Moradores relatam a ocupação intensa por blocos não oficiais, muitos sem planejamento ou diálogo com a comunidade. Blocos tradicionais em Santa Teresa, como o Céu na Terra, Carmelitas e Badalo de Santa Teresa, buscam manter desfiles diurnos, repertório ligado à música brasileira e trajetos compatíveis com a geografia do bairro, dialogando com moradores e comerciantes e seguindo regras de horário e percurso.

Busca por ordenamento e diálogo

Moradores e comerciantes de Santa Teresa organizaram um abaixo-assinado solicitando maior ordenamento e fiscalização durante o carnaval, defendendo limites claros para a convivência entre festa e vida cotidiana. A gestora cultural Ingrid Reis defende um debate que vá além da polarização entre permitir ou proibir, destacando a importância de blocos como o Céu na Terra, que construíram uma relação orgânica com o território.

O pesquisador Victor Belart, da UERJ, aponta a “ausência de regras” como o principal problema, e não o carnaval em si. A expansão acelerada da festa, sem planejamento de serviços básicos e controle de público, gera impactos como acúmulo de lixo, barulho excessivo e dificuldade de acesso. “Aplicar a mesma lógica de grandes blocos da Zona Sul ou do Centro é ignorar completamente o território de Santa Teresa”, analisa.

Com informações da Agência Brasil