sexta-feira, 24 de julho de 2026

Famílias brasileiras acumulam mais dívidas, mas conseguem reduzir a inadimplência

O percentual de famílias brasileiras com algum tipo de dívida aumentou, mas, em contrapartida, a inadimplência registrou uma queda pelo terceiro mês consecutivo. Segundo a Pesquisa de Endividamento e Nível de Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), em janeiro deste ano, 29,3% das famílias possuíam contas em atraso, uma redução em relação aos 30,5% registrados em outubro de 2023.

Perfil do endividamento

O cartão de crédito continua sendo o principal vilão para o endividamento das famílias, seguido pelo cheque especial e carnês de loja. Em média, o comprometimento com as dívidas representa 7,2 meses de quitação, e 29,7% da renda familiar é destinada ao pagamento de contas. Um dado preocupante é que 19,5% das famílias declararam ter mais da metade de seus rendimentos comprometidos com dívidas.

A pesquisa, que ouviu 18 mil famílias em todo o país, considera diversas modalidades de dívida, incluindo crédito consignado, empréstimo pessoal, cheque pré-datado e financiamentos de veículos e imóveis. A CNC ressalta que ter dívidas não é, por si só, um indicador negativo, pois pode impulsionar o consumo e aquecer a economia. O problema surge quando a capacidade de pagamento é comprometida.

Inadimplência em queda

Apesar do aumento no número de famílias endividadas, a parcela que está com contas atrasadas tem diminuído. A inadimplência em janeiro foi de 29,3%, marcando o terceiro mês seguido de recuo. Essa queda é mais acentuada entre as famílias com menor rendimento. Nos lares com renda de até três salários mínimos, o índice de inadimplência é de 38,9%, enquanto entre aqueles com renda superior a dez salários mínimos, o percentual é de 14,9%.

O tempo médio de atraso no pagamento das dívidas ficou em 64,8 dias em janeiro. Alarmantemente, 12,7% das famílias informaram não ter condições de pagar suas dívidas atrasadas.

Impacto dos juros altos e projeções

A CNC aponta os juros elevados como um dos principais fatores que dificultam a amortização das dívidas e apertam o orçamento familiar. A taxa Selic, atualmente em 15% ao ano, o maior patamar desde julho de 2006, encarece o crédito e desestimula o consumo e os investimentos, impactando negativamente a geração de empregos.

A perspectiva da CNC é que o endividamento das famílias continue em alta no primeiro semestre, podendo alcançar 80,4% em junho. Contudo, a inadimplência deve seguir em trajetória de queda, chegando a aproximadamente 28,9% no mesmo período. A expectativa de redução da taxa Selic a partir de março pelo Banco Central é vista como um dos fatores que podem impulsionar essa melhora no cenário de pagamento das dívidas.

Com informações da Agência Brasil