domingo, 19 de julho de 2026

Projeto Sustenta Carnaval transforma resíduos de fantasias da Sapucaí em novas peças

O Projeto Sustenta Carnaval, fundado em 2022 por Mariana Pinho, tem ganhado destaque na Marquês de Sapucaí ao dar um novo destino para as toneladas de resíduos têxteis gerados pelos desfiles das escolas de samba. A iniciativa visa mitigar o impacto ambiental dos produtos têxteis e já se tornou parceira oficial da Rio Carnaval e da Liga Independente das Escolas de Samba no Rio de Janeiro (Liesa) na gestão desses materiais.

Reciclagem em larga escala

Em seu primeiro ano, o projeto recolheu 3 toneladas de fantasias. O volume cresceu exponencialmente nos anos seguintes: 23 toneladas em 2023, 24 toneladas em 2024 e outras 23 toneladas em 2025. Todo o material arrecadado é encaminhado para um galpão na Pequena África, bairro da Gamboa, localizado em frente ao Museu da História e da Cultura Afro-Brasileira.

Um espaço para garimpar e criar

O galpão, situado na Rua Pedro Ernesto, 67, abre suas portas ao público de quarta a sexta-feira, das 14h às 19h, e aos sábados, das 10h às 19h. O local permite que artistas, amantes da moda e do carnaval possam garimpar peças únicas e com valor histórico.

“Temos compradores que são da arte, do mundo do carnaval, que entendem que aquilo tudo ia para o lixo, e ficam emocionados. Temos amantes da moda, do figurino, de cenário, que ficam o dia inteiro”, relata Mariana Pinho.

A fundadora do projeto ressalta a importância ambiental e social da iniciativa: “A questão ambiental é como se fosse o fechamento do ciclo do enredo. Reutilizando essas fantasias, fazemos com que a receita gere emprego para as pessoas do território que fazem parte desse movimento do samba”.

Novas criações a partir de materiais reciclados

Figurinistas renomados já se beneficiam do material reciclado pelo Sustenta Carnaval. Wagner Louza, que possui um ateliê no Santo Cristo, utiliza as fantasias para criar novas peças, adicionando poucos materiais novos para ressignificar o conceito original.

“Há quatro anos, o projeto Sustenta contribui bastante para meu trabalho, porque eles oferecem os insumos. Com esse material, produzo figurinos para carnaval e festa junina. O carnaval não conta somente a história do carnaval mas também a história da nossa cultura”, afirma Wagner.

Já Lohanne Tavares foca na produção de biquínis, hotpants e adereços de cintura com os resíduos das fantasias, alcançando um público jovem e consciente. Ela chegou a criar um desfile sobre mudanças climáticas utilizando esses materiais.

“Acredito que a gente consegue, através da arte, falar sobre assuntos mais complexos. Uma pessoa que viu o meu desfile me conectou com o Projeto Sustenta Carnaval. Tem dois anos que a gente começou essa parceria”, conta Lohanne.

Com informações da Agência Brasil