
O Banco Central (BC) confirmou que iniciará a redução da taxa Selic em março, durante a próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). No entanto, a autarquia não especificou a magnitude do corte e ressaltou que os juros permanecerão em patamares restritivos.
As informações constam na ata da última reunião do Copom, divulgada nesta terça-feira (3). Na ocasião, o colegiado optou por manter a Selic, os juros básicos da economia, em 15% ao ano, pela quinta vez consecutiva.
“Em ambiente de inflação menor e transmissão da política monetária mais evidentes, a estratégia envolve calibração do nível de juros. O Comitê antevê, em se confirmando o cenário esperado, iniciar a flexibilização da política monetária em sua próxima reunião, porém reforça que manterá a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”, detalha a ata.
O BC afirmou que o compromisso com a meta de inflação, definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) em 3% com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, exige serenidade quanto ao ritmo e à magnitude do ciclo de cortes. A previsão do mercado financeiro para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em 2024 é de 3,99%, dentro da meta.
Juros restritivos e resiliência da inflação
A taxa Selic encontra-se no maior nível desde julho de 2006. O BC justifica a manutenção dos juros em níveis restritivos pela resiliência de fatores que pressionam os preços, especialmente o dinamismo do mercado de trabalho. Apesar disso, a atividade econômica doméstica tem apresentado moderação no crescimento.
“No período mais recente, a taxa de desemprego tem se mantido em patamares historicamente baixos enquanto os rendimentos reais médios têm mantido a tendência de elevação acima do crescimento da produtividade do trabalho”, aponta a ata. O Comitê monitora o mercado de trabalho para entender o impacto na transmissão dos níveis de ocupação para os rendimentos e, consequentemente, para os preços.
Cenário externo e fiscal sob observação
O ambiente externo continua a ser um ponto de atenção para o BC, devido à conjuntura e à política econômica nos Estados Unidos, com reflexos nas condições financeiras globais. O país, como emergente, deve manter cautela em meio a tensões geopolíticas.
No âmbito doméstico, a ata enfatiza a importância da saúde das contas públicas para o controle da inflação. A política fiscal, segundo o BC, não apenas influencia a demanda no curto prazo, mas também a confiança dos investidores na sustentabilidade da dívida brasileira. Um esforço em reformas estruturais e disciplina fiscal é crucial para reduzir o prêmio de risco e evitar que a taxa de juros neutra da economia se eleve, o que poderia encarecer a desinflação.
Com informações da Agência Brasil







