
A indústria brasileira encerrou o ano de 2025 com um crescimento de apenas 0,6%, impactada pela política monetária restritiva e os juros elevados. Apesar da desaceleração nos últimos meses do ano, o resultado marca o terceiro ano consecutivo de expansão da produção industrial, segundo dados da Pesquisa Industrial Mensal divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Em 2024, o setor havia avançado 3,1%, e em 2023, 0,1%. A perda de ritmo em 2025 ficou evidente na comparação entre os semestres: enquanto o primeiro acumulou alta de 1,2% em relação ao mesmo período do ano anterior, o segundo semestre registrou variação nula (0%). Especificamente de setembro a dezembro, a produção recuou 1,9%.
Produção em dezembro e panorama anual
Em dezembro de 2025, a produção industrial caiu 1,2%, o pior desempenho mensal desde julho do mesmo ano. Dos últimos quatro meses de 2025, três apresentaram queda na produção, com outubro registrando variação nula. No acumulado do ano, o desempenho de 2025 deixou a produção industrial 0,6% acima do patamar pré-pandemia (fevereiro de 2020), mas ainda 16,3% abaixo do pico histórico alcançado em maio de 2011.
Setores e o impacto dos juros
No ano passado, o crescimento industrial foi observado em duas das quatro grandes categorias econômicas. Das 25 atividades pesquisadas, 15 apresentaram avanço, com destaque para as indústrias extrativas (4,9%) e produtos alimentícios (1,5%). Cerca de 49,6% dos 789 produtos pesquisados registraram alta na produção.
André Macedo, gerente da pesquisa do IBGE, atribui a perda de ritmo ao patamar elevado da taxa básica de juros, a Selic. “Os juros altos têm esse caráter de diminuir a intensidade da economia, e o setor industrial está nesse contexto”, explicou. Juros elevados levam as empresas a adiar investimentos e também afetam o consumo das famílias, especialmente no segmento de bens duráveis, gerando uma “desaceleração importante” nos últimos meses de 2025.
Inadimplência e produção automotiva
O aumento da inadimplência, consequência direta do encarecimento do crédito com juros altos, também é apontado como um fator de influência. Em dezembro, a produção de veículos automotores recuou 8,7%, o maior impacto negativo na comparação com novembro, reflexo também de paralisações e férias coletivas nas fábricas.
Contexto inflacionário e taxa de juros
Em setembro de 2024, diante da preocupação com a inflação, o Comitê de Política Monetária (Copom) iniciou um ciclo de alta na Selic, que saiu de 10,5% para 15% em junho de 2025. A meta de inflação do governo é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. O IPCA, índice oficial de inflação, ficou fora do intervalo de tolerância por 13 meses, praticamente todo o ano de 2025.
A Selic alta encarece o crédito, desestimula investimentos e consumo, com o objetivo de esfriar a inflação. O efeito colateral dessa política restritiva é a desaceleração econômica, que pode impactar a geração de empregos. Apesar desse cenário, 2025 terminou com a mínima taxa de desemprego já registrada no país, segundo o IBGE.
Com informações da Agência Brasil







