
Nesta quinta-feira (19), o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes afirmou que o Brasil “tem uma dívida” com o ministro Alexandre de Moraes. Em seguida, classificou críticas feitas ao colega como “retórica política dos acusados”.
Durante o discurso, Mendes se emocionou ao se referir a Moraes, em um tom que mesclou avaliação institucional e apelo pessoal.
A declaração ocorre em meio ao desgaste da Corte, após o nome de Alexandre de Moraes voltar ao centro das discussões relacionadas ao caso envolvendo o Banco Master. Reportagens têm apontado supostas trocas de mensagens entre Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, aumentando a pressão sobre o andamento e a percepção pública do processo.
Além disso, a cobertura jornalística também destacou que o escritório de advocacia associado a Viviane Barsi, esposa de Moraes, teria mantido contrato com o banco — informação que, no entanto, foi negada sob a alegação de que não haveria atuação ligada ao Supremo Tribunal Federal.
Durante a homenagem, Gilmar Mendes defendeu a atuação de Alexandre de Moraes em inquéritos considerados sensíveis, como o relacionado ao combate às chamadas “fake news”. O ministro afirmou que a condução desses processos contribuiu para enfrentar a desinformação e para lidar com conflitos envolvendo plataformas digitais.
Mendes também sustentou que a trajetória de Moraes é marcada por decisões de “alcance histórico” e ressaltou o “ônus pessoal” enfrentado pelo colega. Segundo ele, esse tipo de pressão — presente em temas de alta repercussão — poucos magistrados, “em qualquer lugar do mundo”, conseguiriam suportar.
O decano do STF sustentou ainda que Moraes passou a ocupar um lugar central na defesa das instituições democráticas. “Foi alçado à posição de pivô da defesa da democracia brasileira”, disse, reforçando a leitura de que o ministro teria se tornado referência na condução de decisões relacionadas ao fortalecimento do regime democrático.
Ao comentar o inquérito das fake news, Gilmar declarou:
“Esse inquérito foi e tem sido o grande instrumento — conduzido de modo firme, corajoso e irretocável por seu relator — para a proteção das nossas instituições contra uma operação sistemática de desinformação e intimidação. A iniciativa, segundo Gilmar Mendes, teria sido arquitetada com o objetivo de desacreditar a Justiça, submeter o STF à agenda de um grupo político e reduzir as resistências institucionais ao projeto de poder em curso.
Para o decano, o desenrolar dos acontecimentos evidenciou que o plano assumiria, com o passar do tempo, contornos ainda mais explícitos e degradantes, culminando no que ele descreveu como uma tentativa de tomada do poder pela força das armas.”
Gilmar Mendes também rebateu críticas direcionadas ao colega e ao Supremo:
“Graças à firmeza do ministro Alexandre, o Brasil passou a integrar um seleto grupo de nações que, segundo Mendes, demonstraram coragem e maturidade ao submeter um ex-mandatário ao rigor da lei. Para ele, esse é o “Estado democrático de Direito”.
A partir desse entendimento, o decano do STF afirmou que, diante da clareza dos fatos apurados na instrução penal, quaisquer insinuações sobre a lisura do rito adotado pelo relator devem ser veementemente repudiadas. Mendes disse ainda que essas acusações seriam, na prática, “aleivosias” que precisam ser lidas como uma retórica política dos acusados — com a finalidade de desacreditar o Tribunal e desviar o foco do debate público dos graves elementos revelados por testemunhas e pelas provas apresentadas pela Procuradoria-Geral da República (PGR).”
Confira:







