terça-feira, 28 de julho de 2026

Tubarão-cabeça-chata é a principal suspeita em ataque fatal a adolescente em Olinda

O adolescente Deivison Rocha Dantas, de 13 anos, que morreu após ser atacado por um tubarão em Olinda, na Região Metropolitana do Recife, na última quinta-feira (29), foi enterrado na tarde de sexta-feira (30). Segundo o Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit), a espécie mais provável a ter causado o ataque é o tubarão-cabeça-chata (Carcharhinus leucas), conhecido por sua presença na área.

A lesão na coxa direita da vítima, com 33 cm de diâmetro, apresentou um padrão de mordida descrito como “compatível com uma dentição do tipo ‘garfo/faca’”. O Cemit destacou que esse tipo de dentição é característico do gênero Carcharhinus, especialmente do tubarão-cabeça-chata. As condições ambientais da região, com proximidade a estuários e desembocaduras de rios, reforçam essa hipótese, já que a espécie prefere ambientes costeiros e fluviais.

Histórico de incidentes e áreas de risco

Desde 1992, Pernambuco registrou 82 incidentes com tubarões, sendo 67 no litoral continental, concentrados na Região Metropolitana do Recife. Um trecho de 33 quilômetros de praia, que se estende da Praia do Paiva, no Cabo de Santo Agostinho, até a Praia do Farol, em Olinda, é classificado pelo Cemit como de atenção, com maior probabilidade de ocorrência de ataques.

Embora um decreto estadual proíba atividades náuticas nesse trecho de 33 km, o banho de mar não é proibido, com exceção de um segmento de 2,2 km na Praia de Piedade, em Jaboatão dos Guararapes. Ao todo, 150 placas de sinalização sobre áreas sujeitas a incidentes com tubarões estão instaladas no litoral pernambucano, sendo 13 em Olinda.

Retomada do monitoramento de tubarões

No início de março, o governo de Pernambuco anunciou a retomada do monitoramento de tubarões no litoral do estado, interrompido desde 2015. O edital prevê o acompanhamento dos animais com o uso de microchip, com foco principal nos 33 km de praias considerados de maior risco. O investimento previsto é de até R$ 1.052.000,00, com duração de 24 meses.

Atualmente, a Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE) realiza um monitoramento em Fernando de Noronha, com apoio do governo estadual e órgãos ambientais.

Com informações da Agência Brasil