terça-feira, 28 de julho de 2026

Protesto na Paulista pede justiça pelo cão Orelha e debate maioridade penal

Centenas de pessoas se reuniram na Avenida Paulista, em São Paulo, neste domingo (1º), para exigir justiça pela morte do cão Orelha. O protesto visava pressionar as autoridades a punir os adolescentes acusados de torturar o animal na Praia Brava, litoral de Santa Catarina. Orelha, um cão vira-lata que era cuidado por uma comunidade local, foi torturado em 4 de janeiro e morreu um dia depois, após ter sido sacrificado por eutanásia devido aos graves ferimentos.

Os manifestantes, muitos vestidos de preto e com camisetas estampando a imagem do cão e frases como “Não foi só um latido, foi um chamado por justiça!”, lotaram a avenida. Adesivos com mensagens similares foram distribuídos entre o público de todas as idades, alguns acompanhados de seus próprios animais de estimação.

O ato, que começou em frente ao MASP por volta das 10h, permaneceu ativo até a tarde, com gritos de ordem como “Não são crianças, são assassinos!” e “Não vai cair no esquecimento!”. Placas pedindo a redução da maioridade penal também foram vistas entre os participantes.

Debate sobre a redução da maioridade penal

A psicóloga Luana Ramos expressou apoio à redução da maioridade penal de 18 para 16 anos, pauta que tem sido discutida no Congresso Nacional, especialmente na Câmara dos Deputados. A medida abrangeria crimes violentos, como hediondos, homicídio doloso e lesão corporal seguida de morte.

“Se fossem quatro meninos pretos, teriam sido linchados. Já teriam feito justiça com as próprias mãos, enquanto os quatro meninos brancos, ricos, estão indo à Disney. Isso não pode mais acontecer”, declarou Luana, criticando a tentativa de minimizar a gravidade do ato por parte dos pais dos acusados. Ela ressaltou que a crueldade cometida contra o cão não tem conserto.

A advogada Carmen Aires, que compareceu ao protesto com seus dois cachorros adotados e a filha, também se mostrou indignada. Ela mencionou que Orelha seria a segunda vítima dos jovens, que também teriam tentado afogar outro cachorro. Para Carmen, adolescentes de 15 anos já deveriam responder criminalmente, considerando as penalidades atuais para crimes contra animais como brandas demais.

“São muito brandas, praticamente não existem. Não resolveram nada, tanto é que continuam acontecendo. A lei é recente, mas deve ser revista, porque atrocidades estão sendo feitas e a gente não aceita mais isso”, afirmou Carmen Aires.

Relação entre violência contra animais e outras formas de agressão

A instituição Ampara Animal destaca em seu site a relação entre a violência contra animais e a violência contra mulheres, alertando para a necessidade de reeducação social.

O casal Thayná Coelho e Almir Lemos, de Belém, que estava de passagem pela capital paulista e aderiu à manifestação, também comentou sobre a possível ligação entre a cor e a classe social dos jovens acusados e o comportamento sádico. “Com certeza”, responderam ao serem questionados sobre o tema.

“A cor, a classe social. Acharam que tinham o direito e simplesmente foram e fizeram. Acharam que estavam no direito deles. As filmagens são muito claras. Eles não fizeram como se fosse um crime, como se fosse alguma coisa errada. Não, eles fazem como se estivesse dentro do direito deles”, criticou Almir.

Luana Ramos complementou a análise, sugerindo que a promessa de privilégios a jovens brancos, de classe média ou alta, pode levá-los a acreditar que têm o direito de cometer atos de violência. “Imagine as namoradas deles”, ponderou.

“A gente está vendo, por esse caso do Orelha, que é apenas a ponta do iceberg, mas que há maus-tratos todos os dias, a cada minuto e nada é feito. As organizações não governamentais (ONGs) é que, com muito sacrifício, com protetores independentes, conseguem minimizar o sofrimento desses animais”, concluiu.

Com informações da Agência Brasil