terça-feira, 4 de agosto de 2026

Perfil epidemiológico do câncer no Amazonas reforça a importância da prevenção

No Dia Mundial contra o Câncer, a Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM), por meio da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas – Dra. Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP), reforça a importância da conscientização, prevenção, diagnóstico precoce e acesso ao tratamento da doença. A FVS-RCP destaca que fatores de risco como tabagismo, consumo de álcool, excesso de peso, alimentação inadequada, inatividade física, poluição atmosférica e infecções oncogênicas (HPV e hepatites virais) são evitáveis e estão diretamente ligados ao desenvolvimento do câncer.

Análises da Gerência de Vigilância de Doenças e Agravos não Transmissíveis (GVDANT) da FVS-RCP, baseadas em dados do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), indicam que o Amazonas registrou 20.948 mortes por câncer entre 2021 e 2025. A idade média dos óbitos foi de 62 anos, com 61% dos casos ocorrendo em pessoas com 60 anos ou mais. A mortalidade apresentou leve predominância feminina (50,9%) e um crescimento de 70,71% no período, saltando de 9,15 óbitos por 100 mil habitantes em 2021 para 15,62 em 2025.

Fatores de risco e doenças crônicas

A diretora-presidente da FVS-RCP, Tatyana Amorim, ressalta que fatores de risco associados ao estilo de vida, como sedentarismo, má alimentação, excesso de peso, consumo de álcool e tabaco, além de sono insuficiente, influenciam diretamente o surgimento de doenças crônicas. “Esses mesmos fatores estão associados a problemas como hipertensão, diabetes e outras doenças metabólicas, o que mostra que as ações de prevenção são integradas e se reforçam mutuamente”, explicou.

Ações de promoção da saúde e rastreamento

Anny Antony, gerente da GVDANT, enfatiza a necessidade de fortalecer ações de promoção da saúde, ampliar a conscientização da população, estimular hábitos mais saudáveis e garantir o rastreamento e o cuidado oportuno no Sistema Único de Saúde (SUS). “Pequenas escolhas feitas no cotidiano, como se movimentar mais, cuidar da alimentação, dormir melhor e buscar os serviços de saúde no tempo certo, fazem diferença real na redução do câncer e de outras doenças crônicas. Informação salva vidas, e a prevenção começa antes do adoecimento”, destacou.

Panorama nacional e regional

A Pesquisa Nacional de Saúde (Vigitel), do Ministério da Saúde, aponta alta exposição da população brasileira a fatores de risco para câncer. Em 2024, 62,6% dos adultos apresentaram excesso de peso e 25,7% são obesos. A pesquisa também revelou baixa prática de atividade física no lazer (42,3%), consumo de álcool, alimentação de baixa qualidade nutricional e sedentarismo. O sono insuficiente foi observado em até um em cada quatro adultos, associado ao aumento do risco metabólico e inflamatório.

Na Região Norte, o perfil é semelhante ao nacional, com alta prevalência de excesso de peso, sedentarismo, maior tempo de exposição a telas e descanso insuficiente, especialmente entre mulheres. Esse cenário contribui para a vulnerabilidade ao desenvolvimento de doenças crônicas e se reflete na mortalidade, concentrada em cinco tipos de câncer: estômago, pulmão, colo do útero, mama e próstata, que juntos representam 43% das mortes por neoplasias no Amazonas.

Com informações da assessoria