terça-feira, 28 de julho de 2026

Morre Renato Rabelo, ex-presidente do PCdoB e figura histórica da esquerda brasileira, aos 83 anos

Morreu neste domingo (15), aos 83 anos, Renato Rabelo, ex-presidente do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) por um longo período, de 2001 a 2015. A notícia foi confirmada pelo próprio partido em nota oficial, que expressou o profundo pesar de toda a militância.

Renato Rabelo teve uma trajetória marcante na política brasileira. Durante a ditadura militar, foi vice-presidente nacional da União Nacional dos Estudantes (UNE) e militante da Ação Popular (AP). Sua atuação foi fundamental na integração da AP ao PCdoB em 1973.

Exílio e retorno ao Brasil

Em 1976, Rabelo foi exilado na França, período em que muitos líderes do PCdoB foram perseguidos, presos e torturados no Brasil. Ele retornou ao país com a anistia de 1979 e dedicou-se especialmente ao fortalecimento das relações do partido com países socialistas, como China, Vietnã e Cuba.

Contribuições teóricas e articulação política

O PCdoB destacou em sua nota que a “maior obra” de Renato Rabelo foi o seu “aporte de ideias e formulações ao acervo teórico, político e ideológico do Partido”. Suas contribuições foram consideradas importantes para o enriquecimento do pensamento tático, estratégico e programático da legenda.

Além de sua atuação teórica, Rabelo foi um dos principais articuladores, pelo PCdoB, ao lado de João Amazonas, da Frente Brasil Popular. Essa aliança, que reuniu PT, PSB e PCdoB, lançou em 1989 a primeira candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República.

Homenagens de lideranças políticas

A ministra-chefe da Secretaria de Relações Institucionais do Governo Lula, Gleisi Hoffmann, lamentou a perda em suas redes sociais. “Recebi com muita tristeza a perda do companheiro Renato Rabelo, grande liderança do PCdoB. Desde muito jovem, Renato entregou sua militância, inteligência e energia à defesa dos trabalhadores, do socialismo e do Brasil. Enfrentou a ditadura, a perseguição e o exílio”, escreveu.

A deputada Jandira Feghali (PCdoB) também prestou uma emocionada homenagem: “Hoje me despeço com profunda tristeza de um grande amigo, referência ideológica, política e de afeto, que presidiu nosso PCdoB por décadas, e um dos maiores construtores da história do Brasil. Renato dedicou a vida inteira à luta pela democracia, pela soberania nacional, por direitos e pelo socialismo. O Brasil ficou mais pobre de ideias e de luta”.

Com informações da Agência Brasil