sexta-feira, 5 de junho de 2026

Mamografia entre brasileiras de 50 a 69 anos atinge 92%, aponta Vigitel

A frequência de mulheres brasileiras entre 50 e 69 anos que realizaram mamografia ao longo da vida subiu de 82,8% em 2007 para 91,9% em 2024, conforme dados do Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), divulgado pelo Ministério da Saúde. O levantamento aponta um crescimento em todas as faixas etárias e níveis de instrução dentro deste grupo.

Aumento em faixas etárias e instrução

O maior salto na realização do exame foi observado entre mulheres de 60 a 69 anos, com o índice passando de 81% para 93,1% no mesmo período. Em relação ao nível de instrução, o aumento mais expressivo ocorreu entre aquelas com ensino fundamental incompleto ou sem instrução, saindo de 79,1% para 88,6%.

A pesquisa também indicou um aumento na realização da mamografia nos últimos dois anos para mulheres de 60 a 69 anos, que subiu de 67,2% em 2007 para 74,2% em 2024.

Expansão do rastreamento e diagnóstico precoce

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou que um quarto dos casos de câncer de mama detectados ocorre em mulheres de 40 a 49 anos, reforçando a importância da expansão da mamografia para essa faixa etária, com foco no diagnóstico precoce via Sistema Único de Saúde (SUS).

Desde setembro de 2023, o Ministério da Saúde ampliou a oferta de mamografia para mulheres de 40 a 49 anos, mesmo sem sintomas, buscando superar barreiras de acesso que existiam anteriormente. Atualmente, mamografias em pacientes com menos de 50 anos representam 30% do total no SUS, o que equivale a mais de 1 milhão de exames em 2024.

Outra medida importante é a ampliação da idade limite para o rastreamento ativo de mamografia a cada dois anos, que agora vai até os 74 anos, anteriormente era 69. Essa mudança considera que quase 60% dos casos da doença se concentram entre 50 e 74 anos, e o envelhecimento é um fator de risco.

Câncer de mama no Brasil

O câncer de mama é o tipo mais comum e a principal causa de morte entre mulheres no Brasil, com cerca de 37 mil casos anuais. Estimativas recentes do Instituto Nacional de Câncer (Inca) preveem 78.610 novos casos de câncer de mama no país por ano entre 2026 e 2028.

Especialistas alertam que muitas mulheres ainda buscam atendimento em estágios avançados da doença, o que dificulta o tratamento e aumenta o risco de mortalidade. A baixa cobertura da mamografia, dificuldades de acesso à rede de saúde e longos períodos entre o diagnóstico e o início do tratamento são apontados como entraves históricos.

A importância da mamografia e hábitos saudáveis

A mamografia é fundamental para a detecção precoce do câncer de mama, aumentando significativamente as chances de cura. Além do exame periódico, a adoção de hábitos saudáveis, como prática regular de atividade física, manutenção de peso adequado, alimentação equilibrada e moderação no consumo de álcool, também são cruciais na prevenção.

O acesso imediato ao tratamento, respeitando a Lei dos 60 Dias, que garante o início do tratamento no SUS em até 60 dias após o diagnóstico, é essencial para o sucesso terapêutico. Cada mamografia realizada é vista como uma oportunidade de salvar vidas, com chances de cura que podem chegar a 95% quando diagnosticado precocemente.

Com informações da Agência Brasil