
A mãe de Thiago Menezes Flausino, Priscila Menezes Gomes de Souza, emocionou-se ao descrever o filho de 13 anos, morto por policiais militares em agosto de 2023, como um menino “educado, carinhoso, sorridente e feliz” durante o júri popular que julga os dois agentes acusados pelo crime. O julgamento, que ouve testemunhas de acusação, busca esclarecer as circunstâncias da morte do adolescente, que sonhava em ser jogador de futebol.
Thiago foi atingido por três tiros de fuzil enquanto estava na garupa de uma moto, na entrada da Cidade de Deus, zona oeste do Rio de Janeiro. Os policiais militares Diego Pereira Leal e Aslan Wagner Ribeiro de Faria, ambos do Batalhão de Choque, respondem por homicídio do adolescente e tentativa de homicídio contra o jovem que pilotava a moto, Marcus Vinícius, atingido na mão. Segundo as investigações, os jovens não estavam armados e não houve confronto no momento da ação, que ocorreu com os policiais em um carro descaracterizado.
Além das acusações de homicídio, os PMs são acusados de fraude processual por supostamente terem plantado uma arma na cena do crime para forjar uma troca de tiros e por alterarem depoimentos para confirmar que o carro utilizado na abordagem não era uma viatura oficial. O Ministério Público considera que os policiais agiram com “torpeza” em uma “operação de tocaia ilegal, com arma de alta energia”.
Lembranças de um jovem promissor
Em seu depoimento, Priscila Menezes reiterou as qualidades do filho, destacando seu gosto por futebol e sua dedicação aos estudos. Thiago frequentava duas escolinhas de futebol e possuía um histórico escolar com mais de 91% de frequência. A mãe exibiu fotos do filho em momentos de lazer, com amigos e família, e em uma delas, o menino aparece recebendo um prêmio escolar pelo “caderno mais organizado”.
O sobrevivente da ação policial, Marcus Vinícius, também testemunhou, confirmando que nunca viu Thiago armado. O pai do adolescente, Diogo Flausino, presente em atos em frente ao tribunal, expressou a expectativa por justiça e pela condenação dos acusados, que alegam legítima defesa.
Dez testemunhas, cinco de defesa e cinco de acusação, estão sendo ouvidas no julgamento. Colegas de escola de Thiago, com 15 e 14 anos, também relataram que ele era um menino alegre, companheiro e vaidoso, sempre presente em momentos de lazer e comemorações.
Com informações da Agência Brasil







