
O Presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um forte apelo pela paz e condenou a corrida armamentista global durante seu discurso na 39ª Conferência Regional da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) para a América Latina e o Caribe. Lula direcionou críticas aos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU – França, Inglaterra, Rússia, China e Estados Unidos – questionando o foco em investimentos na defesa em detrimento do combate à fome.
Críticas ao Conselho de Segurança e à corrida armamentista
“Se esses senhores, que coordenam o Conselho de Segurança como membros permanentes da ONU, se preocupassem com essa questão da fome neste instante ao invés de ficarem discutindo, como agora está se discutindo na Europa, o fortalecimento do armamento dos países, investimentos na defesa”, declarou o presidente.
Lula lamentou que o foco esteja em aumentar o arsenal bélico. “Está todo mundo pensando que vão se agravar os conflitos. E todo mundo quer mais armas, todo mundo quer mais bomba atômica, todo mundo quer mais drone, todo mundo quer aviões de caça cada vez mais caros. E tudo isso não é feito para construir ou para produzir alimentos. Isso é feito para destruir e para diminuir a produção de alimentos ou destruir aquilo que já está plantado.”
Faixa de Gaza e a falha humanitária
O presidente também criticou a iniciativa do governo estadunidense de Donald Trump de criar um Conselho de Paz para a reconstrução da Faixa de Gaza. “Compensou destruir Gaza, matando a quantidade de mulheres e crianças que mataram, para agora aparecerem com pompa, criando um conselho para dizer: ‘Vamos reconstruir Gaza’? Aí aparece como se fosse um resort, para passar férias no lugar onde estão os cadáveres das mulheres e das crianças que morreram”, disse Lula.
Ele ressaltou a necessidade de ação e denúncia para que as mudanças ocorram. “Muitas vezes, a gente fica impassível. E, se a gente não gritar, não falar, não se mexer, nada acontece”, afirmou, acrescentando que a fome é resultado da irresponsabilidade de quem deveria agir.
Descrença na ONU e o papel da paz
Ao final de seu pronunciamento, Lula agradeceu o trabalho da FAO, mas expressou preocupação com o descrédito da ONU. “A ONU está ficando desacreditada. A ONU não está cumprindo aquilo que está escrito na sua carta de criação, em 1945”.
“A ONU está cedendo ao fatalismo dos senhores das guerras e não tem espaço para senhores da paz. Por que a ONU já não convocou uma conferência mundial para discutir esses conflitos?”, questionou o presidente, contrastando a ostentação militar com a necessidade de produção de alimentos.
“Vocês acham normal o presidente Trump ficar, todo dia, dizendo: ‘Tenho o maior navio do mundo, tenho o maior exército do mundo’. Por que ele não fala: ‘Tenho a maior capacidade de produção de alimento do mundo, tenho como distribuir alimento’. Não era muito mais simples? E soaria melhor aos nossos ouvidos”, concluiu.
Com informações da Agência Brasil







